ANO: 25 | Nº: 6312

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
28/07/2018 Airton Gusmão (Opinião)

O direito inviolável à vida de todo ser inocente

A Igreja nos diz que “no fundo da própria consciência, o homem descobre uma lei que não se impôs a si mesmo, mas a qual deve obedecer. O homem tem no coração uma lei escrita pelo próprio Deus; a sua dignidade está em obedecer-lhe, e por ela é que será julgado” (Constituição Pastoral sobre a Igreja no mundo de hoje, nº 16).
Novamente estamos refletindo sobre a vida que está sendo ameaçada por pretensas manifestações de “liberdade”, onde o ser humano autossuficiente se arvora o direito de se colocar no lugar do Autor da vida; afirmando e confirmando na prática existencial que pode fazer o que bem entende sobre o que se refere à vida.
Para a vida, o coração e a consciência cristã, continua valendo o 4º Mandamento da Lei de Deus que diz: “Não matarás”. Em sua doutrina, sobre este mandamento, a Igreja afirma: “A vida humana é sagrada porque, desde sua origem, ela encerra a ação criadora de Deus e permanece para sempre numa relação especial com o Criador, seu único fim. Ninguém, em nenhuma circunstância, pode reivindicar para si o direito de destruir diretamente um ser humano inocente. A vida deve ser respeitada e protegida de maneira absoluta, a partir do momento da concepção. Desde o primeiro momento de sua existência, o ser humano deve ver reconhecidos os seus direitos de pessoa, entre os quais o direito inviolável de todo ser inocente à vida” (Catecismo da Igreja Católica, nº 2258 e 2270).
Entre os dias 3 e 6 de agosto, acontecerá, convocada pela Ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal, uma Audiência Pública sobre o aborto, motivada por uma Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental nº 442, afirmando que os dispositivos que criminalizam o aborto provocado pela gestante ou realizado com sua autorização, violam os princípios e direitos fundamentais garantidos na Constituição Federal; defendendo assim que seja garantido às mulheres o direito ao aborto nas primeiras 12 semanas de gestação.
Para avivar a nossa consciência cristã sobre a defesa da vida em sua integralidade, inviolabilidade e dignidade, trazemos presente alguns trechos da Nota da CNBB, intitulada: Pela Vida, contra o aborto, de 11 de abril de 2017: “O direito à vida é incondicional. Deve ser respeitado e defendido, em qualquer etapa ou condição em que se encontre a pessoa humana. O direito à vida permanece na sua totalidade, para o idoso fragilizado, para o doente em fase terminal, para a pessoa com deficiência, para a criança que acaba de nascer e também para aquela que ainda não nasceu. Na realidade, desde quando o óvulo é fecundado, encontra-se inaugurada uma nova vida, que não é nem do pai, nem da mãe, mas a de um novo ser humano. Contém em si a singularidade e o dinamismo da pessoa humana: um ser que recebe a tarefa de vir-a-ser. Ele não virá jamais a tornar-se humano, se não o fosse desde o início. Esta verdade é de caráter antropológico, ético e científico. Não se restringe à argumentação teológica ou religiosa”.
Diante da cultura de morte que banaliza, descarta e exclui a vida, precisamos nos perguntar, enquanto seres humanos, cidadãos e cristãos: que sociedade queremos construir para nós e para as gerações futuras? Pois, uma sociedade que não tem lugar para os pobres, doentes, idosos e os que ainda não nasceram, é uma sociedade cruel e desumana.
É preciso que manifestemos de maneira pública, pacífica e firme a nossa indignação e posição irrenunciável de defesa da vida do nascituro, como nos pede o Papa Francisco: “A defesa do inocente nascituro deve ser clara, firme e apaixonada, porque neste caso está em jogo a dignidade da vida humana, sempre sagrada, independentemente do seu desenvolvimento” (Exortação Apostólica sobre o Chamado à santidade no mundo atual, nº 101).
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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