ANO: 25 | Nº: 6489
28/07/2018 PAUTA ESPECIAL - Curso de Jornalismo

Um laboratório real

Foto: Reprodução JM

Valduga conversa com alunos sobre técnicas para produção de reportagem
Valduga conversa com alunos sobre técnicas para produção de reportagem

O que eu quero ser quando crescer? Todo mundo já se fez essa pergunta várias vezes. E aí cresce. O colégio termina e, muitas vezes, a dúvida continua. De repente o sonho da infância inteira perde o sentido quando o vestibular aponta no calendário. Não existe, definitivamente, uma receita que ensine como escolher uma profissão. Cada um tem uma história para contar. A expectativa, talvez, seja uma das únicas pontes que interligam esses tantos caminhos distintos. No jornalismo não é diferente. Esse ramo de tantos leques. De mídia. De hoje, aqui, e amanhã, ali. De contar a realidade e, ao mesmo tempo, estar inserido nela. E é exatamente assim que funciona com os acadêmicos do curso da Universidade da Região da Campanha (Urcamp). A boa notícia é que eles contam um laboratório real, onde já têm contato com a prática durante toda graduação, que é o Jornal Minuano.

Uma das disciplinas que deixa o acadêmico mais próximo de sua realidade profissional no curso de jornalismo da Urcamp, acontece no sétimo semestre, em Estágio Curricular I. Foi nessa cadeira, vivendo a experiência de um laboratório de verdade, que os estudantes puderam sentir a experiência diária de uma redação. Para Dhésika de Souza Vidikin, “Acho fundamental e muito gratificante, pois é o momento que o graduando tem a oportunidade de relacionar os conhecimentos teóricos de sala de aula com as vivências reais da prática. É também através dessa oportunidade que o aluno pode perceber a sua afinidade com a área escolhida, além de ser um importante papel de integração entre a universidade, comunidade e o mercado de trabalho”, define a jovem de 21 anos. Já Letícia Luz Franck, além de resumir como ‘mágico’ o fato do Jornal MINUANO pertencer ao curso de Jornalismo da Urcamp, brinca sobre o laboratório. “É como estudar dentro de um jornal. Conviver com o pessoal da redação e com os futuros colegas jornalistas é uma troca de experiências acima do esperado. Como cruzar com o Bonner no corredor da tua Universidade, brinca”.

Nessa perspectiva, o contato com a prática auxilia na orientação profissional. Para o editor chefe do Jornal MINUANO, que já passou anteriormente por diversas editorias e hoje está à frente de um informativo com mais de 20 anos de história, conviver com os acadêmicos também se torna uma experiência única e já destaca alguns pontos que apontam para um futuro promissor dos acadêmicos. “O JM é, de fato, um espaço com uma rotina diária comum aos demais jornais existentes, mas que permite o acesso constante, por parte dos alunos, não apenas às suas instalações, mas ao convívio com jornalistas, fotógrafos e diagramadores experientes. Essa oportunidade é algo que eu, enquanto acadêmico, somente pude visualizar ao longo dos estágios que tive a oportunidade de exercer. Hoje, identificar esse cenário, me permite uma certeza apenas: os futuros profissionais que saírem da Urcamp estão preparados para grandes desafios”, alega. 

No laboratório Jornal MINUANO, em termos de reportagem, todos os materiais de cunho especial são assinados pelos acadêmicos. “Isso não é apenas um estímulo para se dedicarem ainda mais, mas uma possibilidade deles mesmos verificarem o feedback dos leitores, que, claro, avaliam cada produção. Há casos de cadernos especiais que, sob a orientação dos professores, são totalmente produzidos pelos estudantes, do início ao fim - o JM, nesses casos, apenas faz uma avaliação final. Ao mesmo tempo, aproveitando um processo de modernização do próprio Jornal, os alunos já são inseridos em algumas rotinas mais novas, como produção de minidocs (pequenos documentários em vídeo), produção de banco de imagens, além de participarem, em determinados momentos, da produção de capa do Jornal - processo detalhado que exige conhecimento profundo e criatividade”, relata o editor chefe.

Nas páginas impressas

Aulas de redação e expressão oral são parte do cotidiano dos acadêmicos do curso de Jornalismo. Mas, em sua grande maioria, caso não existisse o laboratório do MINUANO, eles somente poderiam ver uma reportagem própria publicada nas páginas de um impresso se estivessem estagiando de forma extracurricular, ou, depois de graduados, caso o mercado de trabalho fosse nesse ramo. A questão é que para um acadêmico ou até mesmo jornalista diplomado, produzir uma reportagem é como ver um filho nascer e publicar, com certeza, é estar à frente do vidro do berçário em seu primeiro dia. Essa experiência os alunos da Urcamp têm em seu laboratório real.

Algumas matérias se destacam pela manchete, outras pela fotografia. Algumas pela narrativa como foram contadas. Existem as que emocionam pelo próprio relato do entrevistado. Há aquelas que possuem cunho particular, jeito de escrever, mas que se tornam, determinantemente, as preferidas de um jornalista (ou futuro, nesse caso). Para o editor do Jornal, muitos alunos já apresentam essa aptidão para as reportagens e ele, inclusive, destaca uma que pôde presenciar. “Percebi que acadêmicos, mesmo em fase de estudos, já demonstram um potencial bem promissor para a prática profissional. Tivemos, ao longo do semestre, alguns exemplos bem evidentes desta característica. Destaco reportagem especial produzida por uma dupla de estudantes que abordou, de maneira comprometida, a difícil tarefa de imigrantes, em especial oriundos do Oriente Médio, que se mudaram para Bagé em busca de paz. A técnica utilizada para contar esta história foi digna de um profissional com certa experiência. Até porque, muito mais que uma simples entrevista, esses estudantes conviveram com as fontes - boa parte deles refugiados de guerra - em alguns dos momentos mais importantes do processo de adaptação, exposto na notícia: a utilização da fé para garantir força de vontade suficiente para recomeçar uma vida", recorda.

Essa mesma recordação é compartilhada pela dupla. Eles são os acadêmicos Dhésika Vidikin e Fábio Quadros. Ambos, quando questionados pela experiência que mais lhes marcou, destacaram essa matéria construída em conjunto que, por sinal, rendeu diversos comentários pela manchete de capa. “Sem dúvidas a matéria especial que foi publicada no Jornal sobre os Imigrantes. Desenvolvi ela com o meu colega Fábio e foi uma experiência incrível. Produzimos a reportagem, fotos e um minidocumentário”, comenta a estudante, que é complementada por Fábio: “Com certeza foi a reportagem especial sobre os refugiados que produzi junto com a Dhésika. Era um tema que eu já tinha pensado em fazer e tentei encaixá-lo em vários projetos do semestre até que consegui fazer na de estágio e foi muito gratificante ver que teve uma boa repercussão”. Já Hallana Oliveira registra seu impacto de acordo com a temática. “A matéria da Sanga Rasa. Que me rendeu uma chamada (tímida) na capa do Jornal. Foi a mais interessante, ainda mais se tratando de um tema tão polêmico a nível de Bagé”, comenta.

Letícia Franck, que fala que sua paixão pelo jornalismo veio muito do apoio dos avós e que o sonho deles era verem ela crescer na profissão, comenta que os dois partiram sem serem espectadores de suas narrativas. E além de dedicar o futuro diploma a eles, o presente veio antes do tempo. “Certamente a apuração do Carnaval de rua de Bagé. Foi não só especial quanto único porque foi feita no dia do aniversário de minha avó. No outro dia, saiu a chamada e a foto na capa. Excluso o fato de que a matéria foi folha inteira. Tenho certeza que de onde minha avó estiver, foi o melhor presente de aniversário que ela já recebeu. Me emociono sempre que comento sobre isso”. E ela finaliza brincando: “Minha primeira experiência no ramo foi no estágio supervisiosado, inclusive. Eu já trabalho na área, mas não havia trabalhado com redação. Produzi matérias e acompanhei grandes reportagens. Para uma estudante de Jornalismo ter essa oportunidade é melhor que comer caviar em Copacabana (risos)”.

 

Meu mundo jornalístico – 5 fotos (perfil)

Os motivos que levam um indivíduo a escolher algo podem ser os mais variados, principalmente quando o assunto é definir, na maior parte das vezes, aquilo que fará para o resto da vida. Já dizia Confúcio, ‘escolhe um trabalho de que gostes, e não terás que trabalhar nem um dia na tua vida’. Para esses acadêmicos, a profissão surgiu inesperadamente ou sempre foi um sonho, mas todos, hoje, estão no caminho certo.

Dhésika de Souza Vidikin: “Antes de começar a faculdade, estava em dúvida entre Publicidade ou Jornalismo. Como o curso de Publicidade e Propaganda fechou na universidade acabei escolhendo a segunda opção. No decorrer do curso, fui me interessando e gostando da área. Foi no meu primeiro estágio que realmente descobri que estava na profissão certa, pois nele consegui praticar tudo que aprendi na sala de aula e vivenciar a profissão. O jornalista não deve ter um limite, basta ter capacidade, vontade e curiosidade”.

Fábio Echeverria de Quadros: “Na verdade nunca tive em mente: ‘ah quero fazer jornalismo’; lembro que eu digo desde o primeiro semestre, quando faziam essa pergunta, que entrei pela menor nota de corte como, tinha conseguido uma bolsa. Desenvolvi meu gosto pelo jornalismo no desenrolar do curso, e hoje não me imagino em outra profissão. No jornalismo, o que mais me chama a atenção, eu acho que é aquela coisa de tu não ter uma rotina. Por mais que tenha rotina, sempre tem algo diferente.”.

Washington Luís da Silva Mogica: “Sempre me interessei por audiovisual. Confesso que inicialmente queria publicidade, mas naquele ano consegui passar em três vestibulares (Letras, RH  e por último a bolsa pelo ProUni em Jornalismo). Então, o amor pelo audiovisual falou mais alto. Hoje, não me imagino fazendo outra coisa! O que mais me chamou atenção é a oportunidade que tu tens em aprender um pouco de tudo. Levo comigo o que ouvi de uma grande jornalista: ‘um bom profissional não é aquele que é bom em tudo que faz, mas sim aquele que se empenha em aprender um pouco de tudo’, e isso o curso te dá em muitas oportunidades de conhecimentos. Hoje, eu não me imagino sem o jornalismo. A oportunidade que temos de todos os dias contar novas histórias é impressionante! Seja ela um bom exemplo, um fato que mudou positiva ou até negativamente uma sociedade é algo que nos torna especiais”

Hallana Rodrigues Oliveira: “Sempre gostei de escrever, aí escolhi jornalismo para seguir como profissão e foi paixão na certa. O que mais me chama a atenção é a versatilidade que o jornalismo possuí. No meu caso consegui sempre aliar outros interesses que fazem parte da minha identidade com a pesquisa na área, como por exemplo o estudo da mídia. Só o fato do jornalista não possuir rotina já é um diferencial. Mas, o mais legal é estar sempre contando histórias e informando pessoas de uma forma única”.

 

Letícia Luz Franck: “Escolhi o Jornalismo quando entrevistava meus pais com uma escova de cabelo imitando a Fátima Bernardes. Eu também ouvia rádio e imitava os locutores. Queria ser todas as pessoas da mídia. Inclusive as que escreviam nos jornais. Eu dobrava as folhas de ofício ao meio e escrevia o ‘meu’ jornal. Eu mostrava para os meus avós, que sempre foram meus maiores apoiadores em tudo, e eles achavam lindo. Aquilo me inspirava. Meus pais queriam que eu fizesse Magistério por minha mãe ser professora. Eu brincava de dar aula para as minhas bonecas e acho que isso fazia eles acreditarem que era o que eu queria. Eu não queria. Mas entrei no curso Normal, fiz três anos e saí. Concluí o Ensino Médio regular e resolvi me dedicar ao vestibular para Jornalismo. Meus avós sempre disseram que queriam me ver na televisão, principalmente meu avô. Eles faleceram no ano passado e não conseguiram ver nem ler nada meu. Iniciei no curso porque meu avô ajudava a pagar as cadeiras. Só com o salário dos meus pais era impossível e na época eu não trabalhava. Tenho depressão e seguidamente tranco as cadeiras por ordem médica. Mas sigo firme e não desisto. Meu diploma não será só meu. Será dos meus avós também. Onde quer que estejam agora”.

 

Luz, câmera, ação!

A pauta é o Urcamp Documenta

Assim como a Urcamp, o curso de Jornalismo vive uma nova fase. Depois de passar de Faculdade de Comunicação Social com habilitações, para Jornalismo, sua estrutura curricular foi modificada e as produções audiovisuais intensificadas. Além das práticas nas disciplinas de telejornalismo, nasceu o programa Urcamp Documenta, em 2012, cujo mentor é, atualmente, o coordenador do curso, professor Glauber Pereira. Apaixonado pela sétima arte, o jornalista que também leciona a cadeira de Cinema, viu a possibilidade de expandir a capacidade dos acadêmicos através de filmes que logo ganhariam espaço dentro e fora da faculdade. O programa foi intensificado e hoje os acadêmicos conseguem produzir dois documentários por semestre.

Neste cenário de ‘luz, câmera, ação’, a claquete é uma das tantas ferramentas que fazem parte do universo cinematográfico. Os acadêmicos se envolvem na criação de roteiro, produção, reportagem, filmagem, edição, montagem final e divulgação. A partir desse projeto, muitos outros foram surgindo, com a ideia de fomentar as atividades interdisciplinares. A aluna Letícia Franck descreve o projeto: “O Urcamp Documenta nasceu exatamente para firmar a nossa marca enquanto Universidade e enquanto FACOS/Urcamp. É a grande movimentação e os bastidores de tudo o que acontece dentro e fora da Universidade. Produzir material de rádio, audiovisual, impresso, documentários, são uma forma de dizermos pro mundo da mídia ‘Estamos aqui. E vamos em frente’".

Para quem já entrou no curso querendo seguir o rumo do audiovisual, o projeto passa a ser mais que um suporte. Washington Mogica é um exemplo nato disso, e ele relata a sua experiência. “O Urcamp Documenta dá toda uma base que tu vais precisar no mercado de trabalho. Minha primeira experiência nesse projeto foi fundamental e me auxiliou muito quando comecei meu estágio no Grupo RBS. Tu teres essa base já te dá um diferencial aos olhos de quem te oferece uma vaga, tanto de estágio quanto de emprego. Então o Urcamp Documenta agrega muito nesse aspecto. Além de teres a oportunidade de trabalhar com ótimos profissionais, ele abre um leque em várias funções e formas de aprendizado”.

No Festival Internacional de Cinema da Fronteira, por exemplo, o curso, através de seus estudantes, participa ativamente produzindo os Cinejornais – matérias audiovisuais que são produzidas durante os dias do festival. “Há, pelo menos cinco, ou seis anos, diariamente, nós produzimos os cinejornais, fato que nos permitiu melhorar bastante, e experimentar em termos de linguagem, roteiro, filmagem, tudo acerca das produções, a vivência audiovisual”, relata o mentor ao complementar: “O festival tem sido um bom laboratório; um grande ambiente de interação entre teoria e prática com os alunos, coisa que poderia ser rara para nossa região; ter um curso de jornalismo onde os alunos conseguem aplicar teoria e prática em momentos reais”.

Outra campanha que os acadêmicos criam é para a Parceiros Voluntários, exibida nos intervalos comerciais da RBS TV. Além desses especiais, o curso também participa dos eventos da Instituição, como o Congrega Urcamp, Biourcamp, Feira das Profissões e outras atividades acadêmicas. Nesses eventos, a pauta é estabelecida e os acadêmicos produzem a cobertura jornalística, inclusive com audiovisuais.

Minidocs e uma nova plataforma midiática

Indo ao encontro dessa interdisciplinaridade, o Urcamp Documenta também está interligado com a cadeira de Estágio. Como os acadêmicos estavam vivenciando o cotidiano do Jornal MINUANO, que é o laboratório do curso, além de produzir reportagens especiais, fotografias e construção de layout para capa, eles também produziram mini documentários sobre as pautas que estavam trabalhando. Os minidocs foram socializados no site do Jornal, que hoje usa de todas as ferramentas para alcançar seu leitor, tornando-se um veículo impresso, digital e social. “Eles permitem que os alunos montem projetos, trabalhem sob o ponto de vista de uma atividade profissional que une teoria e prática e, juntos, eles unem as linguagens que é o texto escrito, fotografado, impresso, e os especiais de documentários ou minidocs”, explica o professor Glauber Pereira.

A implementação surgiu com a modernidade do Jornal MINUANO. “Isso foi muito importante porque quando nós renovamos o site do Jornal e ele começou a funcionar numa plataforma nova, cheia de ferramentas, a gente pode incluir nas matérias especiais. Quer dizer, a filosofia é: temos uma matéria, temos um conteúdo, podemos extrair dele vários tipos de produção, de reportagens”, comenta.

Com isso, o MINUANO se torna um laboratório, que é muito mais que um ambiente de jornalismo impresso, do jornal que circula no papel. Ele se permite ser uma plataforma de interação com alunos que, mesmo que não estejam cumprindo um estágio formal, já podem executar algumas atividades tendo o Minuano como espaço de publicação, seja no impresso, ou no material que é divulgado no site e nas redes sociais.

 

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