ANO: 24 | Nº: 6161
01/08/2018 Luiz Coronel (Opinião)

E agora, eleições

1. A Copa passou, quem apostou em superastros se ferrou. Da bola no pé para o voto na mão, esvoaçam imprecisas esperanças e frívolas desilusões. Sim, rumamos às eleições de 2018 como quem se destina à praia em dia densamente nublado. Quem nos diz se virá o bem-vindo sol ou chuva batida de levantar acampamento?

2. No Brasil, entre o real e o aparente, não existe parentesco. A destinação de recursos públicos às campanhas eleitorais, em sua face angelical, afastaria escusas doações de empresas privadas da disputa eleitoral. Na sua verdadeira e sombria realidade destinará recursos ao mesmo elenco de políticos já eleitos, palmilhando suas reeleições. Institucionalizou-se um safado blefe a nossa urgente necessidade de renovação dos quadros políticos.

3. Se a nação, na atual conjectura, se mirar no espelho há de deparar um rosto sombrio. Sem maquiagens ou adornos, temos um Poder Judiciário, que em vez de legar estabilidade jurídica, lega-nos "suprema discordância" e claros vestígios de partidarismo político. O Legislativo apresenta-se como um palco onde encena-se uma peça entregue a partidos sem rosto, incontestavelmente ineficazes e conchavescos. E, afora isso, o Executivo move-se destituído do imprescindível apoio da nação.

4. O novo presidente, ao ser eleito, herda uma bomba- relógio de 300 bilhões em dívidas do estado brasileiro. Ou acerta o rumo no primeiro ano de governo ou torna-se precocemente candidato ao impeachment. Erramos demais! Um projeto de inclusão social sem simultâneo desenvolvimento econômico deu no que deu. A esquerda latino-americana chutou na trave e recebeu cartões amarelos e vermelhos. Ideias boas são as que dão certo. Os vestibulandos ao cargo presidencial deveriam trazer propostas claras, objetivas, contidas em um projeto de país, metas substantivas de governo. Não creio que isso aconteça. Vão nos servir quindim e chá de losna. Tirar coelhos da cartola e palavras coloridas da garganta, qual mágicos de circo mambembe.

5. Uma nação que produz uma tonelada de grãos por habitante não pode estagnar nessa torpeza de equívocos, sacanagens e desentendimentos. Sabemos que os currais eleitorais vão reeleger sacripantas da pior espécie, que surgirão as mais esdruxulas composições partidárias, pois o voto é uma moeda destituída de peso ético, e, pior do que isso, os segundos televisivos substituem ideias, princípios, nos sigilosos arreglos eleitorais. Mas, como escrevi numa milonga, "fosse eu homem de cimento, tapera hoje eu seria, mas brota a flor da alegria do ramo do sofrimento...".

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...