ANO: 25 | Nº: 6282
08/08/2018 Cidade

Bajeense Flávio Leite interpreta um dos personagens principais na ópera "O Quatrilho’"

Foto: Gilberto Perin/Divulgação

Tenor interpreta Ângelo
Tenor interpreta Ângelo
Após estrear em Porto Alegre e passar pelo distrito de Recanto Maestros, com plateias sempre lotadas, a ópera "O Quatrilho" chega a Bagé, amanhã, para única apresentação no Museu Dom Diogo de Souza, às 20h30min. O espetáculo conta com o tenor bajeense Flávio Leite interpretando Ângelo, além das sopranos Carla Maffioletti, como Teresa, Maíra Lautert, como Pierina, e o barítono Daniel Germano no papel de Mássimo.
A ópera em dois atos de Vagner Cunha com libreto de José Clemente Pozenato garante uma leitura moderna e vivaz não só para a obra, mas, também, para o gênero da ópera como um todo. Com direção cênica de Luís Artur Nunes e regência do maestro Antônio Carlos Borges-Cunha, a montagem tem recitativos em português e árias, duetos e coros cantados em italiano por sete atores e cantores. A peça tem aproximadamente 2 horas, incluindo 15 minutos de intervalo.
Conforme o tenor bajeense, é uma alegria imensa poder realizar essa apresentação em Bagé. Ele lembra que a cidade teve tradição neste tipo de espetáculo e muitas companhias que se apresentavam no Uruguai e Argentina realizavam apresentações na Rainha da Fronteira. “É uma peça muito emocionante e trata de uma temática gaúcha”, comenta.
Leite ressalta que os diálogos são em português e as peças musicais em italiano com acompanhamento de uma orquestra com 12 músicos. Para o tenor, o espetáculo é muito grandioso e a maior emoção é de se apresentar em sua terra natal e ter na plateia amigos e familiares. “Todas as árias, duetos e coros têm legenda para que o público entenda a peça. É acessível para todos os públicos”, salienta.
Segundo o bajeense, a montagem dos cenários começa a ser preparada, hoje, pela equipe técnica. Os atores, solistas e músicos chegam na quinta-feira. Leite ressalta que é um espetáculo completo, com cenário, figurino e iluminação, o mesmo apresentado em Porto Alegre. “São três caminhões que levam todo o material e a equipe”, conta.
Além dos quatro personagens principais, também estão em cena a contralto Luciane Bottona, no papel de Tia Gema, o barítono Ricardo Barpp, como Cósimo, e o baixo Pedro Spohr, como Rocco. A Camerata OntoArte é composta pelos músicos: Moisés Bonella Cunha (1º violino), Jean Veiga (2º violino), Michael Penna (viola), Christian Munawek (violoncelo), Luciano Dal Molin (contrabaixo), Leonardo Winter (flauta e piccolo), Samuel Oliveira (clarinete), Tiago Linck (trompete), Jhonatas Soares (tuba), André Carrara (piano), Diego Silveira (timpani) e Guenther Andreas (percussão).


Enredo
O enredo de "O Quatrilho" baseia-se em fatos reais, retratando o cotidiano e a realidade dos imigrantes no Sul do Brasil no início no século 20, deixando claro o poder da mulher nas decisões de família e também de negócios. A história acontece em 1910, numa comunidade rural de imigrantes italianos, no Sul do Brasil, quando dois casais se unem para sobreviver e decidem morar na mesma casa. Com o tempo, a esposa de um passa a se interessar pelo marido da outra, sendo correspondida. Os dois amantes decidem fugir e recomeçar outra vida, deixando para traz seus parceiros, que viverão uma experiência dramática e constrangedora, mas nem por isso desprovida de amor. O título faz analogia ao jogo do quatrilho: jogo de cartas onde os parceiros se trocam ao longo da partida. Tudo pode acontecer nesse jogo.
Produzido inteiramente no Rio Grande do Sul, o espetáculo tem elementos cênicos que remetem à maneira como os imigrantes italianos viveram na área rural do Estado no início do século 20. Os figurinos, assinados pela porto-alegrense Malu Rocha, são compostos por cerca de 30 peças produzidas em cores frias e terrosas, retratando as personalidades dos protagonistas da trama.
O cenário, desenhado pelo cenógrafo Rodrigo Lopes, mostra o interior e ao mesmo tempo o exterior de uma casa colonial italiana. O uso de lambrequins, adorno arquitetônico de madeira recortada, muito utilizado nas residências dos imigrantes italianos, e de pintura de madeira, junto com um céu, formam o espaço cênico.
Lançado em 1985, o livro "O Quatrilho", de José Clemente Pozenato, tornou-se filme em 1995, sob a direção de Fábio Barreto. A exposição no cinema fez ainda mais conhecida a história dos dois casais de descendentes italianos que constroem suas vidas no interior do Rio Grande do Sul no início do século 20. Agora, um encontro fortuito entre o escritor José Clemente Pozenato, o compositor Vagner Cunha e a Bell’Anima Produções Artísticas permite a adaptação do livro para o formato de ópera.
Após a apresentação na Rainha da Fronteira, a montagem segue para Pelotas (dia 10, no Theatro Guarany), Passo Fundo (dia 12, no Teatro Notre Dame), Bento Gonçalves (dia 15, na Casa das Artes), Caxias do Sul (dia 18, no Teatro Murialdo) e Novo Hamburgo (dia 19, no Teatro Feevale). A turnê da ópera "O Quatrilho" no Rio Grande do Sul é uma realização do Ministério da Cultura.
Os ingressos estão à venda no site www.blueticket.com.br e na Loja Efeito (rua Bento Gonçalves, 188), com preços de R$ 90 no valor inteiro e R$ 45 para quem tem direito à meia-entrada. No dia do espetáculo, também haverá venda no museu, a partir das 18h30min.

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