ANO: 24 | Nº: 6107

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
09/08/2018 João L. Roschildt (Opinião)

Menos ignorância, mais pesquisa

A notícia de que haveria um corte no orçamento previsto para 2019 na verba destinada à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) causou alvoroço no Brasil. Na prática, segundo ofício da Capes, no que diz respeito à pós-graduação, haveria a “suspensão do pagamento dos bolsistas de mestrado, doutorado e pós-doutorado a partir de agosto de 2019, atingindo mais de 93 mil discentes e pesquisadores”. Da mesma forma, também seriam afetados cerca de 350 mil bolsistas e beneficiados pelos demais programas de fomento ao ensino e aperfeiçoamento. Conforme “especialistas”, seria o fim da pesquisa no Brasil.

Helena Bonciani Nader, presidente de Honra da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), disse que “é um prejuízo irreversível, uma geração perdida. [...] Se a economia ainda existe, é por causa da ciência brasileira [...]”. Por mais que essa afirmação seja verdadeira quanto aos danos causados em algumas áreas do saber, de outra parte mostra o despreparo intelectual dos “especialistas” quanto ao funcionamento da realidade. Afinal, por mais que a ciência tenha colaborado enormemente com o progresso econômico da humanidade, não é em razão da ciência que a economia se sustenta. Aliás, não seria pela existência de uma cadeia complexa de trocas econômicas vinculadas a serviços e produtos oriundos de pesquisas que não foram fomentadas pelo Estado o grande fator gerador de receita para que o país pudesse conceder inúmeras bolsas? Seria muita prepotência imaginar um caminho inverso. Nada espantoso! Essa mesma sociedade que visa ao “progresso da ciência” defendeu a descriminalização do aborto em audiência pública promovida pelo Supremo Tribunal Federal: aborto é igual a progresso. Entenderam?

Cartazes em protestos funcionam como pichações móveis: como regra, agridem o intelecto e a estética. E quanto mais próximo da área de humanas e sociais aplicadas, menor a racionalidade. Em protesto contra o possível corte nas bolsas Capes, convocado pelos “Pesquisadorxs em luta” (o “x” denuncia a ideologia), realizado no dia 03/08/2018, um “pesquisador” segurava o seguinte cartaz: “+ pesquisa, - conservador”. O que alhos tem a ver com bugalhos? O conservadorismo impede a pesquisa? Mas os relevantes trabalhos filosóficos pertencentes ao pensamento conservador, como os de Roger Scruton e Russel Kirk, não foram resultados de sérias pesquisas?

No perfil do Facebook de uma professora vinculada a uma universidade federal próxima da nossa cidade, encontra-se uma foto em que ela ostenta o seguinte cartaz: “Minha b... é laica”. Por “b”, entendam a descrição chula da genitália feminina. O registro foi feito durante uma manifestação feminista em uma de suas inúmeras viagens de “pesquisa” custeadas pelo Estado. Desnecessário rememorar a abertura de disciplinas sobre o Golpe de 2016 (um grande proselitismo político) em várias universidades federais ou até mesmo o fato de a Capes ter financiado a dissertação de mestrado “My pussy é o poder”, que estudou a “intelectual” do funk Valesca Popozuda. O termo pussy é o mesmo que “b”.

Casos como esses não são incomuns e mostram a ausência absurda de critérios racionais e razoáveis para a distribuição de auxílios: escracham a vergonha acadêmica nacional. Casos como esses mostram como é fácil rasgar dinheiro alheio.

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