ANO: 24 | Nº: 6109
13/08/2018 Cidade

Empresas migram da cidade antiga para zona norte de Bagé

Foto: Antônio Rocha

Área tem poucos espaços para comércio
Área tem poucos espaços para comércio

Pelo menos três comércios tradicionais no setor de alimentação deixaram a área antiga de Bagé, próximo à Catedral de São Sebastião, nos últimos oito meses, em busca de alternativas na zona norte da cidade. Os motivos da migração são variados, mas um dos fatores preponderantes é a dificuldade de realizar investimentos estruturais, devido ao tombamento histórico da região.
De acordo com a corretora de imóveis Adriana Matos Wild, a área da cidade antiga (que marca o início da urbanização de Bagé, e é protegida por um rígido processo de tombamento histórico) não tem muitos locais próprios para comércio e, devido ao tombamento, não há possibilidades dos investidores realizarem grandes adequações de fachada ou na estrutura física dos prédios. “O local tem poucos espaços comerciais, principalmente para o setor de alimentação”, comenta.
Par ampliar sua empresa, Márcio José de Oliveira deixou o prédio que ocupava na avenida Sete de Setembro, transferindo a lancheria para a avenida General Osório, há dois meses. Ele informa que o comércio tem três anos de funcionamento e o espaço já estava se tornando pequeno para o número de clientes. Para Oliveira, o tombamento dos prédios centrais engessa os empresários, porque não permite o investimento no visual, bem como em acessibilidade. “Hoje, nosso comércio é bem mais amplo e podemos investir na fachada do prédio”, conta.
A empresária Juliana Moraes, que tinha uma pizzaria no entorno da praça Carlos Telles, também observa as limitações. Ela comenta que mudou de endereço há oito meses, para um local mais amplo, mas teve seu comércio por mais de 12 anos na área antiga. Juliana também reconhece que a nova estrutura melhorou bastante para os clientes, que agora contam com mais segurança e estacionamento. “Outro fator preponderante foi o valor do aluguel, que dobrou de preço e tivemos que buscar alternativas”, ressalta.
O dono e um restaurante e uma loja que funcionavam na rua Barão do Amazonas, Márcio Pereira, explica que a troca de espaço foi para melhorar o movimento. O empresário diz que a loja está funcionando na avenida Sete de Setembro e o restaurante será transferido para a General Osório. “O local (cidade antiga) é muito afastado do movimento e fomos buscar alternativas”, explica.


Rigor histórico
O processo de tombamento da poligonal teve como base o inventário realizado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), priorizando as áreas mais densas da cidade, onde se localizam os bens considerados como de maior interesse para a preservação, assim como os aspectos urbanísticos do núcleo fundacional da cidade. O tombamento impõe regras específicas, que devem ser observadas em projetos de reforma ou manutenção, que precisam ser avaliados pelo Conselho Municipal de Patrimônio Histórico de Bagé (Compreb).


Questão demográfica
Para o secretário municipal de Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação, Bayard Paschoa Pereira, a expansão demográfica tem peso no processo de migração das empresas. Para o titular da pasta, a escolha dos empreendedores pela zona norte se deve, em parte, pelo aumento de população. Ele salienta que foram construídos pelo menos sete edifícios na área, o que acabou ampliando a aptidão comercial da região. A nova fronteira imobiliária, entretanto, também é influencida pelas determinações do tombamento histórico.

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