ANO: 24 | Nº: 6432
14/08/2018 Fogo cruzado

Medalha concedida pelo Instituto Tiradentes gera debates no Legislativo

O líder do PT na Câmara de Bagé, vereador Lélio Lopes (Lelinho), levou à tribuna, ontem, uma réplica da medalha concedida pelo Instituto Tiradentes, abrindo um debate sobre a concessão do prêmio, entregue a parlamentares e ex-parlamentares do município. Durante discurso, o petista destacou que a premiação é investigada pelo Ministério Público. Vereadores que receberam a distinção reagiram, rebatendo as acusações associadas a políticos de outras cidades, também investigados pela promotoria, de que teriam utilizado recursos públicos para participar dos cursos organizados para entrega das medalhas.
Lelinho não recebeu o mérito do Instituto Tiradentes. Questionado sobre a medalha que apresentou no púlpito, revelou se tratar de uma réplica, confeccionada, segundo ele, ao custo de R$ 5. “Quando levantei a questão, não foi para duvidar da capacidade dos vereadores. Se alguém está na Câmara, é por mérito. Quando falei que vereadores tinham recebido o prêmio, não falei que usaram verba pública. O Ministério Público está investigando. Não estou aqui para acusar ninguém. O que foi denunciado é muito sério e têm pessoas que podem ter sido enganadas, sim”, pontuou, durante sua segunda manifestação na tribuna, já durante as extraordinárias.
Parlamentares do PTB reagiram às manifestações de Lelinho. Geraldo Saliba e Graziane Lara, que não receberam a distinção, defenderam correligionários condecorados na legislatura passada. “A maior premiação, entretanto, veio pelas urnas. O PTB conquistou a prefeitura com mais de 75% dos votos e elegeu a maior bancada na Câmara. Foi por causa da medalha? Claro que não. O que proporcionou este resultado foi o trabalho, a seriedade e a confiança”, pontuou Saliba. Carlinhos do Papelão e Ramão Bogado também rebateram as afirmações do petista. Carlinhos adiantou, inclusive, que considera mover ação judicial contra o Instituto Tiradentes.
A vereadora Sonia Leite, do Progressistas, que recebeu a medalha, afirmou que a distinção foi entregue a parlamentares ‘merecedores, por conta de seus trabalhos’. “O senhor não está errado em ter falado sobre o assunto. Eu faria o mesmo. Só não bote todos no mesmo saco. Se alguém tem que pagar, são aqueles que pagaram com verba pública”, disse a parlamentar, em resposta ao petista. “Lelinho está no direito de analisar uma matéria que foi veiculada no Fantástico. Agora, julgar os colegas vereadores não. Esta vereadora, se não fosse merecedora de tudo que recebeu durante sua trajetória, não estaria no quinto mandato. Se o instituto cometeu fraude, que se responsabilize”, reforçou.
O vice-presidente da Câmara, Antenor Teixeira, do Progressistas, que não recebeu a medalha do Instituto Tiradentes, também abordou o assunto, observando que a crítica não partiu da tribuna, mas da imprensa nacional. “Partiu do Ministério Público, em cima de um fato onde muitos políticos não tinham conhecimento”, acrescentou. “Nunca, em hipótese alguma, aceitei pagar por premiações. Mas, ao mesmo tempo, não critico parlamentar ou prefeito. Mas as Câmaras e prefeituras que pagaram com verba pública só têm a alternativa de devolver os valores”, disse, durante discurso. O Instituto Tiradentes afirma que não comercializa medalhas ou certificados de participação em cursos.

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