ANO: 25 | Nº: 6381
15/08/2018 Editorial

Há muito que progredir

Um estudo inédito apresentado, ontem, pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) demonstrou que, para alcançar índices mínimos de igualdade, o Brasil ainda tem muito que progredir. O levantamento revela, simplesmente, que seis dentre cada dez crianças – englobando jovens até 17 anos, encaram algum cenário de pobreza, seja monetária ou de privação de algum tipo de direito.

O levantamento, feito com base na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), ainda de 2015, mostra que 18 milhões de meninas e meninos, ou seja, 34,3% do total, são afetados pela pobreza monetária, vivem com menos de R$ 346 per capita por mês na zona urbana e R$ 269 na zona rural. Este dado, por si só, já demonstra uma realidade que poucos conseguem entender. O País, por mais que tenha evoluído ao longo da história, ainda tem, em sua essência social, diferenças gritantes de oportunidades. Neste grupo, já mencionado, estão jovens que precisam – e precisarão – saltar mais degraus que os demais para alcançar uma vida econômica num patamar, no mínimo, considerado aceitável.

Não obstante, o apontamento de que desses, 6 milhões, o equivalente a 11,2%, têm privação apenas de renda. Mas a principal fatia, dos outros 12 milhões, ou 23,1%, além de viverem com renda insuficiente, têm um ou mais direitos negados. E aí está, talvez, o principal empecilho. Os gestores públicos que, porventura, vençam as eleições deste ano deverão, obrigatoriamente, encarar este desafio, de mudar realidades, uma missão de governo. Até porque, até serem solucionadas tais questões, ou mesmo reduzidas, poucos motivos haverão para se comemorar. Será apenas uma tentativa de mudar a realidade com medidas pontuais, muitas vezes insuficientes para garantir, ao Brasil, o crédito de nação desenvolvida.

Detalhe: o estudo mostra que, no Brasil, entre as crianças que vivem na pobreza, seja por privação de renda ou de direitos, 13,9 mil não têm acesso a nenhum dos seis direitos analisados - educação, informação, água, saneamento, moradia e proteção contra o trabalho infantil. Em suma, estão à mercê de um desafio de vida quase que insuperável.

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