ANO: 25 | Nº: 6401
15/08/2018 Cidade

Iniciativa busca estimular preservação e apropriação do patrimônio de Bagé

Foto: Jaqueline Muza/ Especial JM

Proprietários estão redescobrindo riquezas da casa
Proprietários estão redescobrindo riquezas da casa

Mesclar desenvolvimento urbano com a preservação do patrimônio histórico é um desafio. Tal trabalho exige interesse, dedicação e, claro, criatividade. Um dos casos é o prédio situado na rua Doutor Veríssimo, nº 56, no entorno da Catedral de São Sebastião. O espaço, conhecido por Casa Rosa, foi construído entre 1850 e 1880 e, desde a década de 50, pertence à família Salles. Após servir como bar e até pizzaria, a estrutura, agora, está sendo projetada para abrigar um espaço cultural.

A importância do prédio que testemunhou parte da história de Bagé foi salientada pela proprietária Rosa Alice Salles. Ela conta que a Casa Rosa recebeu esse nome devido às pinturas que o pai realizava desde que adquiriu o imóvel. Para ela, o bem pode ser utilizado para a exploração cultural, gastronômica e turística, mostrando a importância do valor histórico. “É um elemento favorável”, defende.

O imóvel conta com vários itens históricos, o que inclui um porão, grades com mais de 100 anos e pedras distribuídas pelo pátio. A intenção dos proprietários é resgatar toda a história e disponibilizar um ambiente para a visitação turística. “Tem uma riqueza histórica e arquitetônica, que é um atrativo para visitantes, e isso pode ser aliado da gastronomia”, ressalta.

O arquiteto e urbanista Ramiro Kalil Gonçalves é um dos responsáveis pela recuperação do prédio. Ele fez curso de especialização e visitou a Itália, onde uma gama considerável de prédios é tombado. “É possível modernizar sem perder a característica”, comenta. Ele salienta que entre as melhorias está sendo sendo recuperada uma fonte que existe no pátio, bem como o calçamento. “Estamos redescobrindo as riquezas da casa” diz.

Por ser localizado em um local "alto" da cidade, do pátio é possível visualizar outros prédios históricos, como o Museu Dom Diogo de Souza. O filho de Rosa, Léo Salles, conta que o porão é uma das maiores riquezas do imóvel. "Nossa intenção é empreender no prédio histórico, que, se for bem explorado culturalmente, vai atrair turistas”, sustenta.

A preservação do patrimônio na parte antiga da cidade, aliás, foi abordado pelo Jornal MINUANO na edição de segunda-feira. Na publicação, alguns empresários que tinham estabelecimentos gastronômicos no entorno da praça confirmaram que migraram para a zona norte da cidade em busca de melhores negócios. Um dos motivos citados é o engessamento ocasionado pelo tombamento, que inviabiliza, por exemplo, alterações na fachada dos prédios. A iniciativa citada, hoje, em parte, apresenta um contraponto de entendimento quanto ao assunto.

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