ANO: 25 | Nº: 6384

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
18/08/2018 Airton Gusmão (Opinião)

Assunção de Maria: esperança para todos nós que estamos a caminho

“A imaculada Virgem, preservada imune de toda mancha da culpa original, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celeste. A assunção da Virgem Maria é singular participação na ressurreição de seu Filho e antecipação da ressurreição dos outros cristãos” (Catecismo da Igreja Católica, nº 966).
“Bem-aventurada aquela que acreditou, porque será cumprido, o que o Senhor lhe prometeu” (Lc 1,45). Em Maria Deus tem espaço para operar maravilhas.
Dentro do mês das Vocações, celebramos neste final de semana a Solenidade da Assunção de Nossa Senhora e o dom da Vocação Religiosa; homens e mulheres, consagrados e consagradas, sinais do Reino anunciado por Jesus, que veem em Maria um modelo a ser seguido.
Maria, depois de ter participado da obra da redenção, ela está de corpo e alma, glorificada junto de Deus. Ela já é o que somos chamados a ser. Este dogma da assunção de Maria ensina-nos o valor do corpo humano. Nós somos um corpo. E é a partir desse corpo que entramos em contato com a realidade; é com ele que amamos ou odiamos, fazemos o bem ou o mal. Esse corpo é templo do Espírito Santo, chamado à glorificação eterna. É importante lembrarmos que Deus se fez corpo humano na pessoa de seu Filho Jesus Cristo.
A história e o corpo são valorizados dentro da experiência cristã. Por isso, é preciso existir discernimento, pois o dualismo ainda persiste hoje. Ainda há quem defende a valorização das coisas espirituais em prejuízo das realidades terrenas. Ao proclamar Maria assunta ao céu, a Igreja valorizou, respeitou, reconheceu o corpo humano em sua dignidade, opondo-se a qualquer espiritualidade desencarnada.
O corpo de Maria não ficou na fuga da realidade em uma atitude de contemplação estática, mas foi às pressas sujar suas mãos com o trabalho doméstico na casa de Isabel. Significa também para nós que precisamos sair com pressa para cuidar de tantos corpos hoje pisoteados, descartados, desfigurados por maldades e injustiças humanas e estruturais.
Nós nos alegramos em Deus por Ele ter gerado vida onde ela era impossível: no ventre de uma mulher idosa e estéril, a Santa Isabel; e no ventre de uma jovem e virgem, Maria de Nazaré. Nós nos alegramos no Senhor que elevou Maria em corpo e alma ao céu, como sinal de que todo corpo que gera a vida e luta em defesa da vida, terá a vida eterna.
“O Todo-poderoso fez grandes coisas em meu favor” (Lc 1,49). Uma mulher já participa plenamente da glória eterna. Em Maria, a dignidade da mulher atinge seu ponto mais alto. Essa certeza exige que olhemos com maior atenção para as mulheres, com o olhar de Cristo, que sempre as respeitou em sua dignidade e missão. Crer na assunção de Maria é reconhecer as preferências de Deus pelos que são pobres, pequenos e desamparados neste mundo. Ele exaltou aquela mulher que deu à luz num estábulo e teve seu coração transpassado. Maria é bem-aventurada, principalmente, porque acreditou que nela se cumpririam as coisas que lhe foram ditas da parte do Senhor.
A festa da Assunção de Maria é um sinal de esperança para todos nós que estamos a caminho da glória; nos convida a erguer o olhar para o céu, onde Nossa Senhora é glorificada em corpo e alma, junto a Jesus ressuscitado e, onde também nós, somos chamados a chegar.
Hoje, agradecemos a Deus a vida, a missão e o testemunho dos religiosos e religiosas que atuam em nossas comunidades e paróquias com os mais diversos carismas e serviços.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

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