ANO: 25 | Nº: 6381
18/08/2018 Segurança

Bagé é apontada como um dos municípios em alerta no Observatório do Crack

Foto: Divulgação

Regiões de fronteira onde há grande consumo de crack
Regiões de fronteira onde há grande consumo de crack

Foi publicada, nesta semana, o relatório preliminar do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras (Idesf), levantamento que mostra que a violência aumenta em cidades fronteiriças com menor investimentos e menos estrutura. O presidente do Instituto, Luciano Stremel Barros, concedeu entrevista à Agência Brasil, na terça-feira passada, e confirmou alerta feito pela Confederação Nacional de Municípios (CNM) sobre a região há 10 anos.

Bagé aparece como um dos 1.172 municípios com alto risco no nível dos problemas relacionados ao consumo de crack, junto com Dom Pedrito, Santana do Livramento, São Gabriel, São Sepé, Pelotas, Capão do Leão, São José do Norte e Alegrete.

Os municípios que mais sofrem com a violência são aqueles que apresentam a pior estrutura educacional e de saúde e menos oportunidades de empregos formais. “Há uma correlação direta entre a crescente violência nas localidades e o abandono escolar, a falta de qualificação profissional e oportunidades para os jovens”, afirma Barros.

Com 150 quilômetros de largura e, aproximadamente, 16 mil quilômetros de extensão, a fronteira representa 27% do território nacional, abrange 11 estados e 588 municípios, divididos em sub-regiões e reúne cerca de 10 milhões de habitantes.

Armas

Barros chamou a atenção para o crescente poder das organizações transfronteiriças, como o contrabando que cruza as fronteiras, alimentando a violência e ajudando a armar as facções criminosas. “Voltamos a alertar que, se não houver uma estratégia política integrada para a fronteira, o problema tende a se agravar, com reflexos para todo o País”, afirmou o presidente do instituto.

O diagnóstico final do Instituto de Desenvolvimento Econômico e Social de Fronteiras sobre a situação nas cidades fronteiriças deve ser divulgado na próxima semana. O documento deve mostrar um retrato da segurança pública e conclusões sobre quatro eixos fundamentais para o desenvolvimento socioeconômico da faixa de fronteira: educação, saúde, emprego/ renda e finanças.

Drogas

Um primeiro resultado é a maior apreensão de drogas, que, em 2017, cresceu 42% em comparação ao ano anterior, saltando de 300 toneladas para 427,5 toneladas. Ao mesmo tempo, o governo sul-mato-grossense garante estar implantando programas sociais para atender à população com acesso aos serviços de educação, saúde e geração de emprego e renda. Como medida emergencial, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, afirmou que o governo federal está deslocando cerca de 250 agentes da Força Nacional para reforçar a vigilância das fronteiras, além de ampliar o número de policiais federais na região. Nova ação conjunta com a Força Aérea Brasileira (FAB) deve ser desencadeada nos próximos dias.

De acordo com o titular da Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec), Cristiano Ritta, somente este ano já foram apreendidos quatro quilos e 800 gramas de crack em Bagé. “A droga que mais apreendemos ainda é a maconha, mas o crack tem uma relação forte com outros crimes, pois, os usuários acabam furtando e cometendo pequenos roubos para adquirir a droga”, informa.

Ritta também destaca que o crack contribui muito para o aumento da criminalidade. “Nessa apreensão, até o momento, teria como renda para o tráfico o valor de R$ 480 mil, ou seja, um valor alto para financiar a comercialização desse entorpecente”, completa.

CNM

Sobre a decisão do governo de reforçar a segurança, a assessora de Relações Internacionais da CNM, Tatiane de Jesus, julga importante fortalecer a atuação na área de segurança voltada à população nas áreas de fronteiras. “A segurança é uma das principais demandas nessa região, com desafio mais intenso com problemas como o tráfico de armas e drogas”, destaca.

Demandas

A entidade tem mostrado que é necessária a atuação mais intensa, principalmente do Congresso Nacional e do governo federal, e políticas públicas em curto, médio e longo prazo. Tanto a confirmação da relação entre a violência com a falta de investimentos quanto com a falta de estrutura nas áreas social, de educação, de saúde e de segurança foram alertados na publicação da CNM Fronteiras em Debate de 2008.

Ou seja, o documento da Confederação identificou há 10 anos a realidade mostrada e confirmada nas demais pesquisas e relatórios, de lá para cá. A publicação descreve como demandas dos municípios fronteiriços a criação da Polícia de Fronteira para tratar dos problemas específicos dessa região, a necessidade de aprofundar a cooperação de segurança com os países vizinhos e o aumento de postos policiais na Fronteira.

 

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