ANO: 25 | Nº: 6208

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
18/08/2018 Marcelo Teixeira (Opinião)

Mesmice eleitoral

Encerrada a etapa formal de registro das candidaturas, a sensação que ficou é de "déjà vu" ou, em bom português, "este filme eu já vi". Tudo bem que dos treze presidenciáveis e dos sete candidatos a governador do RS, a maioria concorre ao cargo máximo do executivo pela primeira vez, porém, a maioria dos candidatos é figurinha carimbada no meio político tupiniquim ou gaúcho respectivamente. Pessoas que, de um modo ou de outro, estão familiarizadas com todas as nossas mazelas e que, apesar de serem mais influentes que a imensa massa de cidadãos comuns, nunca fizeram a diferença. Assim, resta apenas a esperança de que, caso venham a ocupar a chefia do executivo, possam, enfim, eleger a atacar os problemas cruciais que nos afetam.
A maior prova desta infeliz mesmice foram os primeiros debates promovidos pela Bandeirantes. Em resumo, absolutamente nada de novo! Os mesmos diagnósticos, as mesmas soluções, as mesmas leituras, as mesmas promessas, as mesmas opiniões, os mesmos discursos, as mesmas estratégias, a mesma superficialidade etc. As únicas coisas que podem ser consideradas novas foram algumas promessas demagógicas inéditas que revelam a inesgotável criatividade de alguns candidatos em tentar ludibriar os incautos.
O problema é que do outro lado – o do eleitor – também não há nada de novo. Nas redes sociais e até na grande mídia a campanha eleitoral, que já iniciou faz tempo, continua apresentando posturas idênticas as de outros carnavais. Percebe-se uma preocupação maior em atacar os adversários que mais se destacam do que em enaltecer algum candidato, ou seja, a anticampanha é mais veemente e raivosa do que a campanha pró. Desta forma, os candidatos ficam mais conhecidos pelos seus defeitos do que pelas suas virtudes e, nesse contexto, costumam ser vitimados por generalizações maldosas decorrentes da interpretação desonesta de suas propostas e manifestações.
Dizem as más línguas, por exemplo, que um dos candidatos que lideram as pesquisas para presidente é contra negros, gays, mulheres, gordos, quilombolas, índios etc. Do outro lado, porém, temos candidatos que suposta ou assumidamente são contra os burgueses, os ricos, os banqueiros, a mídia corporativa burguesa, a propriedade privada, o sistema etc. Observe que não se destaca aquilo que eles são favoráveis, mas sim aquilo que contestam, com o claro objetivo de espantar os eleitores dos supostos maus candidatos em vez de atrair eleitores para os supostamente bons.
Para confirmar essa tendência contemporânea, basta relembrar das campanhas recentes onde os candidatos, orientados ou não por seus assessores e marketeiros, ficam muitos mais preocupados em atacar seus adversários do que em exaltar suas propostas e virtudes. É muito triste constatar isso e verificar que não há um movimento em sentido contrário. Pelo contrário, cada vez mais se reforça esse espírito de animosidade que faz com que qualquer debate sobre qualquer assunto fique polarizado e raivoso, parecido com o confronto entre torcidas de futebol, onde impera a paixão clubística irracional em detrimento da argumentação ponderada e racional.

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