ANO: 24 | Nº: 6085
18/08/2018 Editorial

Muito além de eleitor


Agora sim é oficial. Após a autorização para que candidatos possam divulgar suas campanhas visando a eleição, teve início um período marcado por divergências entre os cidadãos. Há quem busca, neste momento, definir seus votos a partir das propostas apresentadas. Há, por outro lado, quem, mesmo sabendo do ciclo que começa, questiona e até critica o espaço destinado a partidos, inclusive com a tradicional propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão.
De qualquer forma, é fato que chegou o momento em que panfletos e os populares "santinhos" se acumularão por todos os cantos. Há de se suportar – no caso de quem é contrário a tal prática – e até de aproveitar para se informar e, claro, cobrar o candidato que, porventura, for eleito. Qualquer proposta apresentada deverá ser cumprida. E caberá, ao eleitor, cobrar o seu escolhido no momento posterior e, claro, oportuno.
Para este ano, porém, há uma novidade que deve, inclusive, ampliar o impacto dos candidatos. Além dos tradicionais anúncios em rádio e TV, abriu-se o período, de maneira inédita, para a divulgação de propaganda paga de candidatos e partidos em redes sociais. Essa novidade foi introduzida pela Minirreforma Eleitoral, do ano passado, prevendo modalidades de conteúdo e de priorização paga de conteúdos em mecanismos de busca.
Porém, se de certa forma permite que candidatos alcancem um número maior de possíveis eleitores, regras estabelecidas oportunizarão que os próprios cidadãos sejam verdadeiros fiscalizadores. As mensagens em redes sociais devem estar identificadas como tal, por meio da criação de selos ou outras marcas, e também deverão apresentar informações sobre o candidato ou partido, como os nomes e o CPF ou CNPJ do patrocinador. Ou seja, candidatos e partidos não podem impulsionar conteúdos ou pagar resultados de busca sem essas identificações. E aí é que o internauta poderá se tornar, também, um colaborador no sentido de cobrar o atendimento dos requisitos.
Na prática, essa eleição se tornará um pouco diferente. Até porque a internet já vinha sendo utilizada em pleitos anteriores, mas sem muitas normas. Caberá avaliar como as exigências poderão implicar nos resultados. Enfim, o brasileiro, este ano, poderá ser algo que vai muito além de um eleitor.

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