ANO: 26 | Nº: 6527
20/08/2018 Editorial

Alerta para prevenção

Num momento em que o setor de Saúde do país passa por uma campanha de prevenção ao contágio de doenças como o sarampo e a poliomielite, com vacinas sendo aplicadas com ênfase em parte da população, um alerta feito, na sexta-feira, já atenta para a necessidade do governo do Brasil buscar medidas para evitar um surto epidemias de zika e chikungunya. Apesar de poder ser considerado um anúncio precoce, tendo em vista que tais doenças são mais frequentess no verão, a notificação de especialistas tem seus motivos bem estruturados.
Apesar da redução da incidência de casos, neste ano, as doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti podem voltar a ter força a partir de dezembro ou janeiro de 2019, quando já terá passado o período da primeira onda de surto em alguns estados, apontam os entendidos no assunto.
Um dos argumentos é de que apesar do País ter se dedicado mais nos últimos dois anos no estudo dos impactos do zika, devido ao surto e a perplexidade causada pelos casos de microcefalia nos bebês, no entanto, ainda continua despreparado para atender novos casos das arboviroses, principalmente de chikungunya.
Em entrevista à Agência Brasil, o pesquisador Luiz Tadeu Moraes Figueiredo, professor do Centro de Pesquisa em Virologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), de Ribeirão Preto, alerta que, depois do período de seca em que há baixa circulação dos vírus, essas arboviroses podem voltar a qualquer momento, assim como já ocorreu com a dengue e com a febre amarela.
Os pesquisadores apontam que o ideal para prevenir o impacto de novos surtos seria desenvolver uma vacina. Contudo, eles lamentam que essa solução ainda está longe de ser concretizada. Como se sabe - e ocorre a cada estação quente, o foco ainda está no controle do mosquito transmissor dos vírus.
Por meio de nota, o Ministério da Saúde informou que a destinação de recursos para controle do mosquito vetor e outras ações de vigilância são permanentes e passaram de R$ 924,1 milhões, em 2010, para R$ 1,93 bilhão em 2017. Para este ano, o orçamento previsto é de R$ 1,9 bilhão.

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