ANO: 25 | Nº: 6335

João L. Roschildt

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Advogado e professor do curso de Direito da Urcamp
23/08/2018 João L. Roschildt (Opinião)

Euclides tinha razão

A III Semana da Diversidade da Faculdade de Medicina da USP, realizada entre os dias 13 e 18 de agosto deste ano, promoveu uma atividade que suscitou algum alarido nos veículos de comunicação: uma “Oficina de Siririca”. Este último termo, utilizado para designar a masturbação feminina, estava estampado em um cartaz do evento de forma absolutamente natural. Para justificar essa atividade e convidar as interessadas, a organização do evento declarou que a oficina visava evitar a maternidade compulsória, a perpetuação de tabus sexuais e se afastar das imposições sociais do patriarcado, lembrando que não seria permitida a entrada de homens cisgêneros. Aquilo que chocou a alguns e é uma demonstração dos novos rumos que o ambiente universitário está tomando, não é algo tão incomum.

De acordo com o Daily Mail, em 2014, a Harvard University ofertou um curso rápido sobre sexo anal, em que os participantes seriam instruídos a ter uma visão holística sobre um tipo de relação considerada um tabu. Intitulado “What what in the Butt” (uma tradução seria bem desagradável), o curso buscou explicar a anatomia anal, os possíveis prazeres obtidos com a prática, as formas de conversas com os parceiros, a preparação básica para o ato, a higiene necessária e a penetração anal para iniciantes.

No Brasil, não faltam exemplos de situações semelhantes. Em 2013, na Faculdade de Artes da UFRN, um homem praticamente nu, com uma das nádegas e palmas das mãos pintadas de dourado, desceu as escadas do prédio da faculdade arrastando um tijolo com o pênis; já em 2015, na Unifap, no III Simpósio sobre Gênero e Diversidade, foi realizada uma “Oficina de Siririca e Chuca” (o último termo é uma gíria para o procedimento de lavagem anal que precede a relação); no mesmo ano, na Ufpel, diversas “alunas” feministas do Grupo Auto Organizado de Mulheres daquela instituição de ensino ficaram sem roupa (uma delas se masturbou), fumavam maconha, consumiam bebidas alcoólicas nas escadarias e em frente ao prédio do Instituto de Ciências Humanas, sem contar que elas urinavam em baldes e atiravam seus dejetos nas paredes daquele ambiente; isso para não lembrar da “filósofa” e diva intelectual Márcia Tiburi, que afirmou que o ânus (com outra palavra chula) é laico, serve para criticar o neoliberalismo, o neofundamentalismo e que ele deve ser libertado, reforçando que quem pensa diferente dela é porque não teve seu ânus libertado.

Essa “tara” por questões sexuais dentro do espaço acadêmico é uma amostra do desespero dos progressistas. Suas pautas econômicas, políticas e morais perderam espaço por se mostrarem completamente equivocadas. O que lhes restou foi um apelo para um rebaixamento do sexo, objetivando transtornar a sociedade. Abalar agressivamente a razão passou a ser necessário para efetivar suas agendas.

Certa feita, Euclides da Cunha afirmou que “não é o bárbaro que nos ameaça, é a civilização que nos apavora”. Com a devida adaptação de contexto, pode-se afirmar que o processo civilizatório elabora as ferramentas de destruição de sua própria existência quando legitima a participação dos selvagens dentro dos muros. Os incultos com grife acadêmica sabem que o canto hedonista pode ser mais sedutor que a razão. Eis o sábio Euclides: “Estamos condenados à civilização. Ou progredimos ou desaparecemos”.

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