ANO: 25 | Nº: 6260
28/08/2018 Segurança

Operação Inferno de Dante prende, preventivamente, 30 apenados envolvidos em motim

Foto: Marcelo Rodriguez Barboza/ Especial JM

Atuação ocorreu em oito municípios
Atuação ocorreu em oito municípios

Na manhã de ontem, uma operação intitulada Inferno de Dante, coordenada pela Delegacia de Polícia de Dom Pedrito, com apoio da 9ª Delegacia Regional de Polícia Civil, Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec), Primeira e Segunda DP de Bagé, agentes de outras delegacias da região, Brigada Militar de Bagé e Dom Pedrito, Susepe, Grupo de Ações Especiais da Susepe (Gaes) e Corpo de Bombeiros cumpriu 30 mandados de prisão preventiva e quatro mandados de busca e apreensão no interior de oito presídios gaúchos. A ação policial durou toda manhã e cerca de 200 agentes públicos atuaram nas cidades onde a operação foi deflagrada.

Conforme o delegado regional da Polícia Civil, Luís Eduardo Benites, esta ação busca coibir a criminalidade dentro das casas prisionais. O estopim para tal iniciativa, segundo divulgado, teve seu início com o motim ocorrido no dia 19 de março deste ano, na Capital da Paz, quando ocorreu um protesto no Presídio Estadual de Dom Pedrito, o que resultou em dezenas de detentos amotinados que invadiram uma ala destinada aos presos em isolamento especial, e também destinada às celas femininas do estabelecimento prisional. “Estas ações, com este apoio de todos os órgãos de segurança, vêm justamente demonstrar que o Estado está presente e que esses tipos de crimes serão investigados e combatidos para deixar de acontecer”, declarou.

Segundo o delegado coordenador da operação, André de Matos Mendes, o inquérito em breve será encerrado e as investigações apontaram que o objetivo do motim, no dia do acontecimento, em março deste ano, era matar dois presos que eram considerados inimigos do chefe da facção que domina o pavilhão onde ocorreu o motim. “Começamos analisando as câmeras de videomonitoramento do interior da casa prisional, e, no inquérito consta mais de 40 horas de gravações e mais de 100 depoimentos. Foi através deste sistema que conseguimos obter a autoria do que poderia ser uma grande tragédia dentro do Presídio Estadual de Dom Pedrito”, completou.

O apenado Luís Henrique Gravi Silveira, que está detido no Presídio de São Gabriel, é acusado de ser o mandante da ação no dia do fato. “Os detentos amontoaram colchões, cobertores, bancos e outros objetos e atearam fogo em frente às celas onde estavam as vítimas pretendidas, causando um grande incêndio no interior da galeria, levando à morte do detento Isaac Martins Gonçalves, queimaduras de terceiro grau em outros dois presos e expondo à perigo de morte outros quarenta detentos, sendo destes doze mulheres, todos recolhidos à ala invadida”, contou o delegado.

Mendes também destacou que os dois apenados alvos da ação criminosa ficaram feridos, mas sobreviveram. “Em comparação com as imagens, no momento que atearam fogo, e também na área externa, identificamos os trinta apenados envolvidos nesta situação, que tiveram as prisões preventivas pedidas para o poder Judiciário. O objetivo era, também, remanejar esses presos para outros presídios do Estado. Hoje (ontem), temos aqui, em Dom Pedrito, nove destes acusados. Os demais já foram realocados”, informou o titular da delegacia.

Também foram cumpridos mandados no presídios de Bagé, Rosário do Sul, Pelotas, Caxias do Sul, São Borja, São Gabriel e Montenegro. “Com o recolhimento de diversos materiais, como telefones celulares, estoques, facas e certa quantidade de drogas iremos também verificar ligações e ações, tendo mais provas técnicas nestes celulares que irão dar materialidade para o encerramento do inquérito”, explicou o delegado.

O responsável pelo trabalho policial ressaltou que essas organizações criminosas querem deter maior espaço territorial e a liderança na comercialização do tráfico de drogas. “O sistema penitenciário dá demonstrações de falhas e estamos tentando desarticular essas facções”, disse. Mendes salientou que essa operação foi uma das maiores deste tipo e que os mandados de prisão preventiva para detentos já presos são para manter em cárcere os que poderiam já sair por outras condenações e não voltar à liberdade. “As pessoas nos questionam, como prender quem já está preso. Na realidade, muitas vezes, os apenados já estão no final do cumprimento de pena e cometeram outro crime, que foi esse fato do motim, e então são presos preventivamente, para não ter risco de serem colocados em liberdade”, salientou o titular da DP de Dom Pedrito.

Foram identificados, segundo divulgado, ao todo, 30 detentos envolvidos no ato criminoso, todos acusados de participação direta ou indireta na morte do apenado Isaac, tentativa de homicídio de outros 42 presos, organização criminosa, incêndio criminoso e dano ao patrimônio público.

BOX

Presos preventivos nos presídios de Bagé, Dom Pedrito, Caxias do Sul, São Gabriel, São Borja, Rosário do Sul, Pelotas e Montenegro

Mandante : Luís Henrique Gravi Silveira

- Igor Rosa de Oliveira

- Diego Donimar da Silva Alves

- Jocimar Garcia Maia

- Renato Gonçalves Verdum

- Douglas Domingues Silveira

- Douglas Uil Marques Rodrigues

- Alexsandro Coutinho Tavares

- Douglas Moraes de Lima

- Francisco da Rosa de Castro

- Daniel Alexandre Sandes Fernandez

- Tristão Garcia Neto Júnior

- Douglas da Rosa Rodrigues

- Sandro Heleno Rodrigues Pinto

- Jiovane Rodrigues Cellas

- Vinícius Alves

- Lucas Soria da Silva

- Luís Guilherme Alves Santos

- Erlei Marques da Rosa

- Jonathan Alexis Marques Basallo

- Valdenir Gomes Rodrigues

- Daniel Madruga Domingues

- Cristiano Raymundo da Silva

- Rodrigo Lopes Soares

- Tiago Severo Machado

- Sergio Machado

- Rafael Fontoura Vilar

- Ariovaldo Xavier Machado Júnior

- Felipe Fonseca de Oliveira

- Gean Guterres Carvalho

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...