ANO: 25 | Nº: 6335
28/08/2018 Editorial

Resposta carcerária

O motim deflagrado no primeiro semestre deste ano, no Presídio Estadual de Dom Pedrito, resultou, ontem, em uma das respostas mais efetivas nos últimos tempos por parte dos órgãos de segurança gaúchos. A operação intitulada Inferno de Dante, que atingiu casas prisionais de oito municípios, não apenas apontou os responsáveis pela revolta, que ocasionou uma morte, como fez com que os acusados fiquem impedidos de deixar o sistema carcerário de forma breve, mesmo que suas penas estivessem beirando o fim.
A atuação, porém, foi além. O cumprimento de mandados judiciais de busca também revelaram a existência de um aparato considerável de instrumentos, por parte dos apenados, que viabilizam que os mesmos conduzissem, atrás das grades, ações similares às realizadas quando em liberdade. É, quem sabe, através de missões deste parâmetro, que a coibição de crimes que tenham presidiários como mandantes terá êxito.
Importante, neste momento, mencionar, mesmo que breve, o atendimento de uma demanda revelada, na semana passada, pelo titular da Defrec, de Bagé, que solicitava a remoção do apenado do Presídio de Pelotas, conhecido como "Mochilão", acusado de, mesmo detido, comandar o sequestro do empresário Vando Gasparoni. Em conjunto com o Ministério Público, como destacado na edição de segunda-feira, o indivíduo foi transferido, no sábado, para a Penitenciária de Alta Segurança de Charqueadas.
Na atual conjuntura, em que dificilmente se solucionarão todas as demandas do sistema prisional, ao menos de imediato, ações periódicas e intensas, por parte dos órgãos de segurança, serão fundamentais para, de momento, frear a atuação de facções que, como se sabe, não se intimidam, aparentemente, com as grades de ferro. Pior, utilizam tais instalações para se organizar e comandar ações externas.
Ao menos ontem, houve resposta do setor carcerário. E será preciso que isto se mantenha.

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