ANO: 25 | Nº: 6335

Dilce Helena Alves Aguzzi

dilcehelenapsicologa@gmail.com
Psicóloga
28/08/2018 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Yonlu

Em novembro de 2017, assisti no Festival Internacional de Cinema da Fronteira o longa-metragem Yonlu e escrevi este artigo sobre o filme. Agora, Yonlu estreará no circuito nacional e merecidamente está entre os possíveis indicados para representar o Brasil no Oscar 2019.

O tema retratado já é algo bastante difícil de abordar, e sendo baseado em acontecimentos reais como neste filme torna o desafio maior ainda.
A história mostra de modo muito peculiar a realidade na perspectiva emocional de Yonlu, jovem de 16 anos que em 2006 acabou com a própria vida, assistido e incentivado por um fórum de debate sobre o tema na internet.
A grande estimulação intelectual e a overdose de informação que nossos jovens têm hoje não os protege do sofrimento psíquico. Ao contrário do que muitos pais poderiam supor, os deixa mais vulneráveis ainda, pois há um enorme desequilíbrio entre os aspectos cognitivos bastante sobrecarregados e os emocionais compatíveis à idade, ou seja, imaturos. Dessa forma procuram solucionar seus dilemas nem sempre com pessoas confiáveis ou em relacionamentos reais. Nessa fase da vida é bastante normal o medo de errar e ser criticado, de ficar exposto, de sentir a humilhação dos olhares não serem de aprovação, de estar no centro das atenções e não por um motivo que os orgulhe. Por essa razão, a internet parece um território seguro para mostrar vulnerabilidades, dúvidas e dilemas, sem estar de fato exposto. Lamentavelmente, isso não é verdade, a probabilidade de procurar ajuda e encontrar o oposto é muito grande.
O filme protagonizado por Thalles Cabral, dirigido e roteirizado por Hique Montanari, é envolvente, tenso e honesto. Utilizando a linguagem profunda da poesia, música e ilustrações do próprio personagem central, incluindo diálogos com o psiquiatra vai desvendando sua personalidade exuberante de jovem em plena descoberta do melhor e pior do mundo, enquanto é atormentado por evidente crise depressiva e toda gama de conflitos típicos da idade.
É um relato forte, um alerta para jovens, pais e profissionais da área da saúde mental para o fato de que o sofrimento é por vezes demasiado, profundo e o pior, nem sempre evidente. O isolamento social pode estar empurrando nossos jovens em busca de ajuda para a beira do abismo.
Em entrevista de alerta depois do fato consumado, o psiquiatra afirma: Na hora do desespero ele procurou conselho e ao invés de um abraço recebeu um empurrão.
Às vésperas da campanha nacional de prevenção ao suicídio, Setembro Amarelo, fica o convite a assistir esse belíssimo trabalho e que se amplie cada vez mais a discussão e os debates sobre o tema, trazendo luz e informação sobre assunto ainda tabu e foco de tanto preconceito.
Yonlu tem a minha torcida!

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