ANO: 25 | Nº: 6312
03/09/2018 Cidade

Dom Gílio Felício faz planos para permanência em Bagé

Foto: Tiago Rolim de Moura

Religioso se estabeleceu em nova residência
Religioso se estabeleceu em nova residência

Após a renúncia que surpreendeu a população de Bagé, formalizada em junho deste ano, o bispo emérito Dom Gílio Felício começa uma nova caminhada. Na última semana, ele se mudou para uma casa próxima ao centro da cidade. Feliz e sorridente com a nova residência, o religioso faz planos para a montagem de uma capela dento do imóvel e para receber os amigos.
O prelado salienta que segue com muitas demandas religiosas dentro da diocese. Ele relata que a renúncia foi somente do governo administrativo. Dom Gílio segue com o tratamento de saúde do problema que surgiu há 15 anos, com a retirada da tireóide, que o fez tomar a decisão de renunciar o cargo de bispo.
Segundo ele, a diocese de Bagé é a maior em extensão do Estado, contando com 16 paróquias e 12 municípios. Esse fato estava dificultando suas visitas e ele não queria que a diocese fosse prejudicada. Dom Gílio, que é natural do município de Sério, tomou a decisão de permanecer na Rainha da Fronteira, em que garante ter muitos amigos. O religioso salientou a receptividade do povo, das autoridades e também de adeptos de outras religiões. “Fiz parte de um grupo ecumênico interreligioso, que valoriza o elemento humano”, diz.


Novo lar
A casa, situada na rua Fernando Machado, ainda não está totalmente mobiliada. O bispo conta que está recebendo os móveis e organizando o local para onde se mudou na quinta-feira. “Tive todo o apoio da diocese para escolher onde queria morar e preferi alugar um imóvel “, comenta.
Mesmo com o problema de saúde que, segundo ele, está controlado com medicamentos, a vontade de estudar não termina. O bispo emérito pretende seguir com o canto e se dedicar às aulas de inglês. Dom Gílio fala e lê em espanhol, francês, italiano, alemão e português e já arriscou uma missa na Língua Inglesa, em meados de 2013. O religioso pretende fazer uma visita ao Papa Francisco até o final deste ano. O último encontro entre os dois foi durante a vinda de Francisco ao Brasil, em 2013, durante a 28ª Jornada Mundial da Juventude.
Ele conta que Bagé não lhe trouxe desencanto e considera a história, arte, natureza e cultura da cidade, interessantes. “Não tive nenhum problema de relação com o povo. Sempre fui muito bem aceito e recebido em todos os lugares e até pela ‘santa imprensa’”, frisa.


Nomeação do bispo
Dom Gílio conta que a nomeação de um novo bispo é um processo demorado. Ele relata que quando uma diocese fica vacante, a Nunciatura Apostólica no Brasil envia cartas a todos os bispos da província. Cada um dos religiosos indica três nomes de sacerdotes que têm condições de assumir o comando e as responsabilidades da diocese.
Cada um dos prelados responde cerca de 30 perguntas sobre cada indicado e encaminha para o Núncio Apostólico no Brasil, Dom Giovanni d'Aniello (representante diplomático da Santa Sé), que manda para a secretaria do Papa Francisco. Em seguida é realizada uma seleção, que é passada para a que o Santo Padre faça sua escolha. “O escolhido recebe uma carta perguntando se aceita o compromisso. Caso não seja confirmado, o processo inicia novamente”, relata.


Trajetória
Dom Gílio completa 69 anos no dia 11 de novembro. Ele é o quarto bispo da diocese e atuou no município 15 anos. Uma de suas características é a de aproximar as pessoas. Ele foi nomeado bispo auxiliar da arquidiocese de Salvador, na Bahia, em 1998, pelo Papa João Paulo II. Na ocasião, escolheu como lema de vida episcopal “Evangelizar a todos”. Foi o criador da Pastoral Afro na arquidiocese soteropolitana. Em dezembro de 2002, foi nomeado bispo da Diocese de Bagé. Tomou posse em março de 2003. Até 2007, tinha sido o coordenador nacional da Pastoral-Afro Brasileira. Desde 2011, era membro do Conselho Econômico e Social do Estado do Rio Grande do Sul.


Homenagem
O religioso será homenageado na quarta-feira, às 19h, pela Câmara de Vereadores de Bagé, em sessão solene que foi proposta pelo vereador Augusto Lara, do PDT.

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