ANO: 25 | Nº: 6333

Observatório da Mídia

06/09/2018 Observatório da Mídia (Opinião)

A checagem de fatos com o combate às fake news

Foto: Marcelo Rodriguez Barboza/ Especial JM

por Augustho Soares
Estudante do 6º semestre de Jornalismo da Urcamp

A Campanha Eleitoral nem havia começado e os eleitores brasileiros já estavam sendo 'metralhados' por inúmeras notícias com conteúdo falso ou duvidoso. Sejam sobre representantes da direita, da esquerda ou até mesmo do 'centrão' político nacional, as popularmente conhecidas como fake news têm o objetivo de beneficiar ou desfavorecer algum candidato em específico.

Em um levantamento feito em junho deste ano, um grupo de pesquisa em Políticas Públicas da Universidade de São Paulo (USP) verificou que, apenas naquele mês, cerca de 12 milhões de brasileiros compartilharam postagens com conteúdos políticos enganosos ou distorcidos, através de 500 páginas monitoradas. No entanto, vale salientar que esse tipo de conteúdo pode ser veiculado em diversos outros meios, chegando à população através de correntes lançadas por usuários em aplicativos de mensagens como o WhatsApp, assim como em sites travestidos de portais de notícias tradicionais. Algumas destas 'falsas notícias', inclusive, são transmitidas por candidatos ou políticos, através de declarações errôneas em postagens nos sites de redes sociais ou a veículos tradicionais que não tiveram tempo de verificar a informação, devido à rotina jornalística e à pressão do imediatismo.

Em contrapartida a este 'desserviço' que se espalha em nossa sociedade, tradicionais veículos de comunicação têm aderido à prática da checagem de fatos (fact-checking), um método jornalístico que vem se popularizando internacionalmente desde o início do século, com o objetivo de investigar notícias ou declarações suspeitas e checar a veracidade das informações. No Brasil, essa prática começou a ter divulgação nacional nas eleições de 2010, em um projeto do jornal Folha de S. Paulo, com os denominados "Mentirômetro", onde a veracidade das declarações dos candidatos eram analisadas, e "Promessômetro", em que eram niveladas as probabilidades de cumprimento das promessas de campanha. Entretanto, o fact-checking só ganhou maior estabilidade em território nacional a partir de 2014, com a criação de iniciativas especializadas no assunto, como a Agência Lupa, ligada à revista Piauí, o serviço de checagem "Aos Fatos" e a plataforma "Truco", da Agência Pública.


Neste ano, em virtude das eleições, a checagem de fatos é acrescida por iniciativas como o projeto "Comprova", que têm reunido 24 redações de diversas empresas de mídia e meios de comunicação brasileiros, ou até mesmo pelo serviço do Grupo Globo "Fato ou Fake", o qual já gerava polêmicas e controversas entre os usuários da internet antes mesmo de ser lançado.
No geral, estes projetos de fact-checking buscam conteúdos suspeitos, separam aquilo que pode ser checado, analisam a veracidade dos fatos e classificam a notícia de acordo com a sua autenticidade. Para encerrar a avaliação, cada um destes serviços trabalha com ícones diferenciados, já que nem todos os fatos podem ser classificados como "verdadeiros" ou "falsos". No caso da Lupa, por exemplo, também são usadas as etiquetas: "verdadeiro, mas", "ainda é cedo para dizer", "exagerado", "contraditório", "subestimado", "insustentável" e "de olho".

Embora ainda sejam duvidosos os resultados obtidos em estudos sobre a influência da checagem de fatos na opinião do público, vendo que nem sempre as pessoas expostas a uma determinada informação falsa também recebem a correção dessa notícia e que uma parcela da população tende a ignorar checagens prejudiciais aos seus candidatos, estas iniciativas permitem maior controle sobre o que é realmente correto nas declarações de políticos, em debates e entrevistas.

Então, mesmo que ainda seja cedo para uma conclusão sobre o assunto, o que resta é torcer que a difusão de projetos de fact-checking conscientize a população e auxilie na diminuição de exageros e falsas promessas em campanhas políticas. Porém, é importante destacar que antes de acompanhar alguma iniciativa deste ramo, é preciso pesquisar quem está por trás deste projeto. Até mesmo candidatos a cargos políticos estão adotando a prática para benefício próprio.

Sendo assim, as ferramentas de checagem de fatos devem ser utilizadas de maneira crítica, sem a intenção de apoiar ou prejudicar algum político em específico, mas sim para que os eleitores possam julgar aqueles a quem estão depositando seus votos.

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