ANO: 25 | Nº: 6335
07/09/2018 Editorial

O pior dos exemplos

Ideias são definições, projeções de algo almejado ou mesmo de possíveis soluções para uma demanda. Não são uma verdade absoluta, tampouco uma expressão do que é certo ou errado. E, por incrível que possa parecer, são motivos frequentes de divergências. Mas não esqueça, são apenas ideias.
Essa breve contextualização tem como justificativa a necessidade de se abrir uma análise do principal fato dos noticiários de ontem, em âmbito nacional e, até mesmo, internacional: o atentado ao candidato à Presidência da República, Jair Bolsonaro. As motivações para tal crime – sim, esfaquear alguém é isso – ainda darão "pano pra manga". E, possivelmente, será difícil encontrar algo justificável. Mas prospecções são possíveis, apesar de não verídicas neste momento.
O candidato tem posicionamentos, muitas vezes, considerados radicais. De certo modo, tais manifestações, que até elevam sua rejeição por parte de uma parcela do eleitorado, o levaram, na atualidade, a liderar pesquisas em diversos cenários. A questão é que,independentemente do quanto suas falas venham a desagradar a alguém, jamais será justificado que o mesmo seja alvo de um atentado. Jamais será.
Numa democracia, toda e qualquer punição, pelo crime que for, obedece um rito. Isto, em resumo, possibilita que todo e qualquer cidadão tenha ampla defesa – direito constitucional. Isso pouco tem haver com o registrado ontem, mas serve para rebater qualquer questionamento.
Gostar ou não de um candidato não pode e nem poderá impedir que ele se manifeste, fale o que vier a mente. Suas ideias são intocáveis. As ideias de qualquer cidadão assim são. Mas isso não impede, contudo, que sejam questionadas. Mas dentro de um parâmetro aceitável. Qualquer método diferente, em especial por meio da força, será antidemocrático, inaceitável e injustificável.
Havia uma projeção de que estas eleições, em especial em âmbito nacional, seriam marcadas por disputas acirradas. Mas o que vimos ontem foi, basicamente, o pior dos exemplos. É preciso estagnar qualquer nova tentativa de atentado, preveni-la a todo o custo. Caso contrário, caminharemos, mesmo que a passos lentos, para o fim da democracia e em direção a um cenário onde o que prevalecerá será a força e não o diálogo. E isso não é democracia.

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