ANO: 24 | Nº: 6108

Rochele Barbosa

rochelebarbosa@gmail.com
Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
17/09/2018 Caderno Minuano Saúde

Capa - Setembro Amarelo: conscientização sobre a prevenção

Foto: Divulgação

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Segundo dados do Ministério da Saúde, 11 mil pessoas cometem suicídio, por ano, no Brasil. Estima-se que 79% são homens e 21% são mulheres, embora elas, segundo projeções, registrariam maior número de tentativas. Esses números, aliás, colocam o Brasil como o oitavo país com na lista dos que contabilizam mais casos.

Algumas dificuldades podem contribuir para o suicídio, a exemplo do tabu em debater sobre o assunto. A depressão, o abuso de álcool, a pressão e o estresse, entre outros tópicos são influenciadores comprovados. Desde 2014, setembro é o mês de conscientização para prevenção. A campanha origina-se do Centro de Valorização a Vida (CVV), que atende pelo número 188. Podem ser feitas ligações em todo território nacional, 24 horas por dia, sete dias por semana.

Durante todo este mês, em âmbito local, um grupo de alunos de Psicologia da Urcamp, responsáveis pelas campanhas de saúde mental da instituição, junto às professoras Adriana Brito e Sílvia Vargas, orientadoras dos eventos, estão realizando trabalhos no sentido de estimular os debates e auxiliar a evitar que novos casos sejam registrados.

 


Página 2 e 3 – Trabalho e prevenção

O grupo de alunos supervisionados pelas professoras da Urcamp atua com visitas a escolas para dialogar, em especial, com público adolescente, através da apresentação de um documentário produzido pelos cursos de Psicologia em parceria com acadêmicos Jornalismo “Quem vê cara não vê depressão”.

Segundo a professora Sílvia, além dessa iniciativa, são estimuladas rodas de conversa sobre depressão, informações de locais onde é possível buscar ajuda, como Sipa (Serviço Integrado de Psicologia Aplicada - Urcamp) e o Caps (Centro de Atenção Psicossocial).

Panfletagem visando a prevenção e o cuidado da saúde mental, assim como um debate amplo, no dia 29 de setembro, às 9h, no Teatrinho da Urcamp, com a psicóloga Dilce Helena Alves Aguzzi, também serão realizados.

 

Depressão

Você já teve este sentimento de estar nadando contra a maré? De não estar correspondendo às exigências da sociedade atual? De não possuir imagem ideal, seja ela relacionada ao seu corpo, ao lado pessoal ou ao profissional. Ou uma sensação ruim, de angústia constante sem razão aparente? Quando este sentimento é algo temporário as pessoas conseguem lidar com certa naturalidade, mas quando a tristeza se intensifica e torna-se permanente as dificuldades aumentam. Lidar com a própria tristeza e/ou com a tristeza do outro não é tarefa fácil. Atualmente, parece que há um compromisso velado de estarmos sempre felizes e sorridentes, estamos desaprendendo a lidar com a tristeza e a frustração, não podemos fraquejar ou nos entristecermos. Entretanto independente das cobranças sociais, alguns de nós irão ter uma estrutura psíquica para lidar com estas questões e não se abaterem, porém outros não, é aí que mora o perigo. Você pode estar desenvolvendo uma depressão.

Depressão é uma doença que atinge milhões de brasileiros todos os anos, segundo a Organização Mundial da Saúde, é um assunto sério e precisamos falar sobre ela.

Segundo o CID 10, é caracterizada por um rebaixamento do humor, redução da energia e diminuição da atividade. Existe alteração da capacidade de experimentar o prazer, perda de interesse, diminuição da capacidade de concentração, associadas em geral à fadiga importante, mesmo após um esforço mínimo; podemos caracterizar como dois tipos as principais. A mais leve, que normalmente é confundida como uma tristeza que pode durar meses ou até mesmo anos, contudo a pessoa consegue sozinha buscar ajuda com amigos, líderes religiosos, médicos ligados à família, entre outros. E, na segunda classificação, a doença atinge a pessoa de uma forma mais severa, levando a isolar-se, apresentando um estado de indiferença, abandonando as atividades sociais e profissionais, além de desenvolver ideias suicidas.

As doenças do psiquismo são marcadas por um caráter de invisibilidade sendo muitas vezes de difícil compreensão pelo grupo social. O processo de ajuda é longo, mas existe, porém é importante deixar claro que não há soluções mágicas; o tratamento exige em alguns casos o acompanhamento medicamentoso e a psicoterapia associados. Em Bagé, além dos serviços oferecidos pela rede pública,a Urcamp através do curso de Psicologia oferece atendimento gratuito à comunidade, basta procurar a clínica do hospital escola, situada à rua Flores da Cunha, nº 169”.

 

Texto: Orientadora do projeto de campanhas de saúde mental Adriana Brito –

curso de psicologia da Urcamp.

 

Caps I

O Centro de Atenção Psicossocial Infantojuvenil (Caps I) trabalha o ano inteiro na promoção da Saúde no enfoque Biopsicossocial. Ou seja, a atenção e promoção da saúde se dá não só na compreensão dos sintomas e intervenções terapêuticas, mas, sobretudo, na promoção da qualidade de vida, dos vínculos afetivos e da melhor interação social possível.

A intervenção ocorre em ação multiprofissional com abordagens individuais, grupais, atenção a familiares e escolas além das oficinas terapêuticas e campanhas educativas e de esclarecimento sobre aspectos importantes nos cuidados com a saúde global dos indivíduos e suas famílias.

Todas ações de promoção de saúde tem por objetivo diminuir os riscos de condutas não saudáveis, seja o uso abuso de álcool e substâncias psicoativas, como comportamentos de risco sexuais e de autolesão. Atualmente, a ansiedade e o uso excessivo das tecnologias têm aumentado a intensidade de alguns sintomas, principalmente na adolescência. Desta forma, tem sido foco da equipe desenvolver estratégias de prevenção e acompanhamento da demanda. O telefone do Caps I é 32421495.

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