ANO: 25 | Nº: 6404

Dilce Helena Alves Aguzzi

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Psicóloga
18/09/2018 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

O que nunca fazer

Educação emocional ou psicoeducação é uma aspecto relevante a ser abordado nas famílias e nas escolas. Ocupamos tanto nossa atenção em ensinar coisas úteis e inúteis aos mais jovens, desde bebês, esquecendo o básico, como lidar consigo mesmo, seu universo interno, suas dores e angústias.

Em plena campanha de conscientização e prevenção ao suicídio, neste setembro, sugiro algumas questões a serem ensinadas e discutidas como algo a nunca se fazer:
- Desrespeitar os próprios sentimentos e também os alheios.
- Subestimar a capacidade intelectual, de realização e emocional de quem quer que seja.
- Sufocar os próprios sonhos, desejos, sentimentos e angústias por medo de não ser aceito ou compreendido. Seja o que for que incomoda, merece atenção.
- Deixar de compartilhar seus desconfortos por ideia pré-concebida que ninguém irá compreendê-lo. Muitas vezes a tarefa de tentar se fazer compreender já proporciona grande alívio.
- Fingir psra si mesmo que aquilo que está incomodando não existe. Esta tática tem por resultado o aumento significativo da tensão psíquica e a diminuição da confiança na própria capacidade de resolução.
- Concentrar toda atenção, levando a sério demais e intensificando assim apenas o lado pessimista da situação. Há sempre, pelo menos, dois aspectos a serem observados em qualquer conflito e quando enxergamos apenas um é hora de conversar com alguém confiável a fim de conseguirmos perceber as questões importantes por outra perspectiva.
- Deixar de questionar-se. Nunca negar-se o benefício da dúvida. "E se eu estiver enganado? E se houver uma forma de resolver, de viver melhor com o que sinto?"
- Decidir assuntos importantes sob intensa pressão emocional, sozinho ou com pressa.
- Abandonar o senso de humor. Nunca, jamais, mesmo que seja um humor próprio, cruel, que poucos compreendam ou ainda seja taxado de mau gosto, pois o humor tem um poder de aliviar tensões inimaginável, pois aproxima, relaxa e proporciona identificação. Todos esses aspectos tornam possível suportar situações bastante pesadas apenas pela sensação de que não estamos sozinhos. Rir do próprio infortúnio com pessoas próximas é uma forma de sobrevivência.
É preciso que sejamos mais eficientes em mostrar para as novas gerações que a vida, muitas vezes, é cruel, difícil e que teremos momentos em que nossa força será desafiada e pensaremos em desistir. Talvez saber disto nos fortaleça e estimule a vontade de encontrar soluções, não sozinhos, mas no encontro, no amparo, no conforto do compartilhar também nossos aspectos mais sofridos e obscuros.
Lembre-se: a lista acima é para nunca fazer.



"Teremos momentos em que nossa força será desafiada"

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