ANO: 25 | Nº: 6334

Observatório da Mídia

20/09/2018 Observatório da Mídia (Opinião)

Estamos usando as redes sociais corretamente?

Foto: Marcelo Rodriguez Barboza/ Especial JM

Por Gabriel Munhoz Machado
Estudante do 6º Semestre de Jornalismo da Urcamp

A facilidade de acesso às redes sociais cresce a cada dia. Lançamentos de novos aparelhos portáteis com acesso a uma internet cada vez mais potente faz com que as pessoas estejam conectadas 24 horas por dia. O impacto que as redes sociais trouxeram para nossas vidas modificou a maneira como as pessoas se comunicam e possibilitou muitas mudanças positivas. Contudo, precisamos ficar atentos aos malefícios que o uso inadequado destas redes pode trazer.

É fato que qualquer pessoa pode criar sua conta no Facebook, WhatsApp, Instagram ou Twitter. Praticidade, entretenimento, divulgação de trabalhos e rapidez na informação passaram a ser vantagens facilmente identificadas, afinal, tais aplicativos foram criados para que usuários de todo o mundo interagissem e compartilhassem o que desejarem. Entretanto, muitos abusam deste uso, alguns expõem muito de sua vida pessoal, outros criam um mundo que não condiz com sua realidade, e é aí que começa o problema. O número de seguidores, curtidas e interações já é sinônimo de popularidade. Alguns usuários fazem coisas inimagináveis para ganhar tal "reconhecimento", uma vez que esquecem a realidade e passam a viver no mundo virtual. Um simples final de semana se tornou um processo de registros fotográficos, seja com viagens, festas, compras, e até mesmo o café da manhã vira um momento para ganhar curtidas. A busca constante em transmitir uma imagem de perfeição em todos os momentos pode, um dia, frustrar o usuário, e o levar até mesmo a depressão. "Se você vê belas fotos de seu amigo na internet, uma maneira de compensar é com fotos melhores. Quando o seu amigo olha as suas fotos, vai querer postar outras ainda melhores, e assim por diante. Autopromoção dispara mais autopromoção, e o mundo das mídias sociais fica mais longe da realidade", é o que afirma a pesquisadora alemã Hanna Krasnova, da Universidade Humboldt de Berlim, em seu estudo sobre a depressão e as redes sociais.

Outro estudo da Sociedade Real para Saúde Pública (RSPH, na sigla em inglês) da Grã-Bretanha, aponta que além da depressão, problemas como ansiedade, solidão, bullying e imagem corporal também afetam jovens entre 14 e 24 anos. Já na Alemanha, em junho deste ano, o Bundestag (Parlamento Alemão) aprovou uma lei que determina medidas rígidas contra redes sociais para combater a propagação do discurso de ódio e as chamadas "fake news" que são divulgadas por usuários nas diversas plataformas.

Como o uso das redes sociais é muito recente, ainda existem poucos estudos e conhecimento científico sobre o tema e, por isso, não é possível estabelecer quanto tempo diário gasto nas redes pode refletir um quadro de vício. No entanto, se você tenta lembrar o nome da loja em que comprou uma roupa para poder marcá-la em sua foto, se você pensa antes de ir a um local com seus amigos, se você participa de inúmeras promoções sem nunca ter ganhado uma e até se após um dia divertido pensa "por que não tiramos uma foto?", já deve acender o sinal de alerta.

Pense bem antes de compartilhar qualquer coisa, verifique a veracidade de qualquer notícia, e não deixe que as redes sociais tomem conta da sua vida. Guarde os momentos bons para si e compartilhe-os somente com pessoas próximas, pois o número de "likes" não condiz com as verdadeiras boas intenções.

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