ANO: 25 | Nº: 6279
21/09/2018 Fogo cruzado

Estudos para Plano Nacional de Energia 2050 destacam potencial de Candiota

Foto: Fabio Campos/ Especial JM

Levantamento menciona Pampa Sul (foto) e revela capacidade para construção de novas usinas no município
Levantamento menciona Pampa Sul (foto) e revela capacidade para construção de novas usinas no município
Estudos de apoio para elaboração do Plano Nacional de Energia 2050 (PNE 2050), divulgados pelo Ministério de Minas e Energia (MME), destacam o potencial para a construção de novas usinas termelétricas a carvão mineral em Candiota. As análises realizadas em conjunto com a Empresa de Pesquisa Energética (EPE), através de recomendações e novas diretrizes da Secretaria de Planejamento e Desenvolvimento Energético (SPE) da pasta, não são conclusivas em relação ao futuro do setor, mas destacam a capacidade de expansão das unidades no município. O PNE 2050 consiste no planejamento de longo prazo do setor energético do país, avaliando tendências na produção e no uso da energia.
O conjunto de relatórios é composto por três notas técnicas da EPE, desenvolvidas no primeiro semestre deste ano. A primeira trata dos subsídios para a elaboração do PNE 2050. A segunda do potencial de recursos energéticos e a terceira sobre os planos de energia da América Latina. Uma das notas, que trata especificamente sobre o potencial de recursos energéticos, destaca a capacidade instalada atual do parque gerador termelétrico a carvão mineral, estimada em 3,2 gigawatts (GW). O levantamento observa que o empreendimento Candiota III, administrado pela Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE), foi o último projeto a entrar em operação comercial, com potência instalada de 350 megawatts (MW), e menciona a Pampa Sul, viabilizada através de leilão, em 2014, com 340 MW de capacidade instalada.

Economia
O debate sobre o PNE 2050 envolve mais de 200 representantes de 30 órgãos da administração federal, que discutem políticas, planos e estratégias para o setor energético. A pauta que envolve a discussão sobre o carvão considera o custo do mineral brasileiro, destacando a potencialidade econômica da região. “O preço do insumo nacional está atrelado ao tipo de jazida a ser lavrada. No caso de carvão a céu aberto com baixa cobertura, como a jazida de Candiota, o preço atual é da ordem de R$ 50 a tonelada, enquanto para jazidas com mineração subterrânea, como as localizadas em Santa Catarina, o valor situa-se na faixa entre R$ 60 e R$ 80 a tonelada de carvão bruto”, pontua a nota técnica.

Utilização
A nota destaca que ‘para o cálculo do potencial de geração no horizonte de 2050 foram mantidas as premissas já definidas no PNE 2030, em que a participação efetiva do carvão na matriz de oferta de energia do País dependia diretamente da análise de aspectos, tais como competitividade relativamente a outras fontes, estratégia nacional para diversificação da matriz, avaliação da dependência externa de energia’.

Expansão
Com base em dados técnicos, o relatório estabelece que, ‘considerando usinas com potência unitária de 500 MW e funcionando por 25 anos, o potencial permite abastecer até 46 usinas’. “Em virtude de 38% do total das reservas (12,4 bilhões de toneladas) estarem em Candiota, a cidade tem pode garantir a instalação de 15 destas plantas termelétricas”, enumera. Do ponto de vista ambiental, ainda de acordo com o estudo que embasa o planejamento, uma das principais preocupações são as emissões atmosféricas de poluentes locais, principalmente material particulado, óxidos de enxofre (SOx) e óxidos de nitrogênio (NOx). E, neste sentido, a capacidade do município está comprovada.
A nota técnica destaca que, em 2014, o Ministério Público Federal, por meio de Termo de Ajustamento de Conduta, solicitou uma avaliação, que resultou sobre a capacidade de suporte da bacia aérea da região. “O estudo indicou que Candiota apresenta condições meteorológicas favoráveis à dispersão de poluentes e que os projetos planejados, por utilizarem tecnologias mais modernas, possuírem equipamentos de controle ambiental e estarem espacialmente bem distribuídos, não comprometeriam a qualidade do ar da região. Dessa forma, a conclusão foi de que inserção de novos empreendimentos é viável no que diz respeito à capacidade de suporte da bacia aérea”, pontua.

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