ANO: 25 | Nº: 6403

Fernando Risch

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Escritor
21/09/2018 Fernando Risch (Opinião)

Réver e o Kinder Ovo

Réver é um jogador de futebol. Hoje, ele defende o Flamengo, mas já foi campeão da Libertadores com o Atlético-MG e, há poucos anos, vestiu a camisa do Internacional. Há nem tão pouco tempo assim, há 10 anos, fora contratado pelo Grêmio, vindo do Paulista de Jundiaí. O Tricolor Gaúcho foi o primeiro clube grande em que Réver teve uma oportunidade de atuar e, como todo jogador, tinha sonhos de uma vida na Europa, Seleção e salários que lhe dariam independência financeira para o resto da vida.

No final de 2009, já destaque do Grêmio, Réver recebeu uma proposta do Wolfsburg, da Alemanha. O salário em euros balançou Réver, era mais do que demais, ao ponto de o jogador ir até a sala do então presidente Duda Kroeff, aos prantos, implorando para que o mandatário aceitasse a proposta e lhe permitisse partir, que o futuro de sua família dependia daquilo. Duda aceitou e Réver se foi em janeiro de 2010.

Só tinha um problema. Réver não sabia para onde estava indo, não sabia o que havia por trás do número ululante escrito num pedaço de papel que recebera. Com um imposto salgado sobre grandes rendas, na Alemanha, um jogador de futebol pode chegar a deixar 50% do seu salário no fisco. Mas Réver não sabia e, quando descobriu, era tarde demais. Seu salário era menor do que o que recebia no Grêmio. Acabou fazendo apenas uma partida pelo clube alemão e retornou seis meses depois ao Brasil.

A informação nunca fora maquiada, ele só precisava pesquisar, buscar informações de onde estava se metendo, mas Réver foi movido pela paixão, não razão e acabou recebendo um Kinder Ovo, e o que há dentro do ovo de chocolate, só se sabe depois de abrir. É sempre uma surpresa.

Nestas eleições, até o momento atual, há muita paixão e emoção, e pouquíssima razão. Eleitores que estão abraçando cegamente o Kinder Ovo, por razões que não condizem com a racionalidade, mas com a passionalidade. O problema do Kinder Ovo, assim como o que aconteceu com Réver, é que a surpresa, como o nome literal já indica, só se descobre depois, numa névoa de dúvidas. Cuidado com quem combate o "mais do mesmo" sendo exatamente o mais do mesmo, ou pior que o mesmo.

E a informação está aí, para quem quiser saber para onde está indo, basta querer recebê-la e assimilá-la. Depois, quando a cinta te cingir o pescoço e a chibata que tanto se aplaude lascar o couro na tua face, não adianta reclamar e dizer "ah, mas eu não sabia". Atitudes irracionais criam situações irracionais. E você não terá pra onde ir, como Réver teve. Pare pra pensar e pare de reagir.

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