ANO: 25 | Nº: 6487
24/09/2018 Cidade

Sérgio Coirolo diz temer destruição da escultura de Luis Fernando Veríssimo

Foto: Antônio Rocha

Obra de artista plástico é alvo constante de vandalismo
Obra de artista plástico é alvo constante de vandalismo

Uma simples busca no Google denúncia o desrespeito com o patrimônio público em Bagé. Prova física disso é a atual situação da escultura do Analista de Bagé, que, desde sua inauguração, em novembro de 2016, amarga consecutivos ataques de vandalismo, que já demandaram três restauros grandes feitos pelo autor da obra.
Para assegurar a integridade das três peças que compõem o conjunto (o analista, sua fiel secretária e o pai dos personagens, o escritor gaúcho Luis Fernando Veríssimo), foi cogitada a troca de local das esculturas. Atualmente instaladas em um átrio feito pelo município, especialmente para recebê-las na Praça da Estação, as três peças podem encontrar novo destino, em outro local público com mais segurança.
A secretária municipal de Cultura, Anacarla Flores, explica que, por enquanto, o poder público ainda não chegou a um consenso sobre o que será feito com a obra. "Abrimos espaço para os grupos culturais e conselhos opinarem sobre o tema", destaca.
Já o responsável pela obra, o artista plástico Sérgio Coirolo, lamenta o descaso com as esculturas, doadas pelo Senac ao município como marco da projeção que a obra de Veríssimo deu ao município, berço do personagem de humor O Analista de Bagé. Após a instalação da obra, durante a 19ª edição da Feira do Livro, as três esculturas já sofreram diversos ataques que lhes renderam partes do corpo como a mão do analista, a orelha de Lindaura e parte posterior da cabeça do autor. Desde então, Coirolo já foi chamado três vezes para restaurar as partes, que sempre acabam em um novo destino trágico.
Em um novo ataque, mais recente, o Analista ficou com a face desfigurada. Mas, até o momento, Coirolo não foi contatado para restaurar a peça. "Já fui a Bagé para realizar restauros três vezes, desde a instalação. A última vez foi ainda em 2017, por solicitação do Senac. O município nunca entrou em contato comigo sobre esta questão. Ninguém além de mim pode mexer na obra, os direitos autorais são meus", ressalta.
Torcendo para que o conjunto seja realocado em um novo espaço com mais segurança, Coirolo teme que os ataques acabem por danificar a única parte da obra que não será possível recuperar: a imagem de Veríssimo. "A escultura do Luis Fernando é um retrato, primeiro feito em argila para depois fazer a fôrma. Em caso de danos extremos ao rosto dele, não consigo recuperar, como no caso das outras duas peças", explica.

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...