ANO: 26 | Nº: 6491
26/09/2018 Luiz Coronel (Opinião)

A sorte está lançada

1. Na mão dos aturdidos brasileiros em direção às urnas, o voto que amaina ou aprofunda as divisões políticas que se embatem desde as eleições de 2014, senão antes. Sombras, dúvidas e esperanças estão em redemoinho em nossas mentes. A democracia é uma delicada senhora. Ela não aceita afrontas. Com que facilidade nós modelamos caricaturas de democracia, de partidos políticos, de projetos políticos consistentes. Nossa história caminha a trancos e barrancos, entre conciliações oportunistas e conchavos, a portas fechadas. Esta eleição 2018 faz tremer os alicerces da república.
2. A democracia repousa na aceitação dos contrários, exige o fluxo livre das ideias. Gestos simples. Aceitar panfletos de variados partidos e candidatos, e a todos agradecer pela deferência. A demonização dos adversários é a sementeira do ódio, o patamar das divisões irreconciliáveis. Querer, sim, a punição dos corruptos, não importando qual nome tenham, ou que partido os agasalhe. Mas isso não outorga a ninguém o papel de indômito justiceiro, senhor das chaves do cárcere.
3. O que tende e teme-se que venha a se repetir é a sempre safada e eficiente movimentação dos profissionais do poder. Aproximam-se do possível eleito para compor o "novo" poder, colocando a seu favor os cargos, encargos e consequentes benesses. Eles se dizem "algodão entre taças de cristal". Mas em verdade querem são as taças para continuar bebendo o saboroso licor da riqueza e das regalias. A eles só interessam as chaves do cofre. E, no mais das vezes, conseguem.
7. "A política corrompe, mas tem o poder de combater e banir a corrupção", disse um justo senador. O que a grave hora nos pede é que sejamos sadios, almejando ao presidente a ser eleito, êxito no desempenho de tão altas funções de condutor dos destinos do país nos anos vindouros. Ele terá a tarefa de Hércules de superar os desastrosos últimos cinco anos de governo que vivenciamos. Viabilizar que este país arcaico se torne uma nação moderna. Bem mais nítidas do que as divisões "esquerda e direita" é distinguir o que é povo do que é antipovo. Antipovo é tudo que gera a corrupção, o desemprego, a incompetência e o atraso.
8. Lembremos: a história não muda em se mudando apenas os retratos na parede. Os ventos da história pedem um direcionamento correto. O futuro não quer vestir as rotas alpargatas do passado, costuradas com ideologias caducas, dogmas retrógrados, utopias cansadas. Um pensar e agir novo em um mundo global, a grandeza da pátria está nos cobrando. Sem crescimento econômico e sem estabilidade não há caminhos. Já erramos demais.

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