ANO: 24 | Nº: 6084
26/09/2018 Segurança

Tentativa de femínicidio é desclassificada e processo é encaminhado à 2ª Vara Criminal

Durante o dia de ontem aconteceu, no salão do júri, do Fórum de Bagé, o julgamento de Adão Sávio do Prado Cardoso, que era acusado de tentativa de feminicídio contra sua ex-companheira, uma doméstica de 51 anos. O fato ocorreu no dia 13 de julho de 2017, quando o acusado, utilizando uma faca, desferiu dois golpes no braço e nas costas da vítima. O crime foi desclassificado para lesão corporal e será remetido os autos para a Segunda Vara Criminal, que tem competência sobre os crimes da Lei Maria da Penha.

O fato ocorreu em uma casa noturna, na avenida Visconde de Ribeiro Magalhães. Segundo relato de testemunhas, o homem entrou no local onde a ex-companheira trabalhava e pediu uma cerveja, após ele avistou a vítima chegando e, então, a teria pego pelo pescoço, lhe aplicando uma “gravata”. Neste momento, a vítima sentiu que estava sendo golpeada. A proprietária do estabelecimento foi até onde estava ocorrendo a agressão e auxiliou a vítima, conseguindo retirar o autor de perto dela.

A delegada que confeccionou o inquérito, a titular da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam), Carem Adriana Nascimento, disse, em depoimento, que haviam outras ocorrências de ameaças contra o réu e que já havia acontecido um fato de incêndio criminoso. “Ela foi ouvida quando este crime ocorreu e relatou que ele não aceitava o término do relacionamento de 19 anos, no qual o casal tem dois filhos e também tinha muito ciúmes”, contou.

A vítima relatou que estava descendo as escadas no momento em que ele a pegou pelas costas e desferiu os golpes. Segundo ela, o ex-companheiro não aceitava o término do relacionamento e era muito possessivo.

Outra testemunha foi a policial civil que fez o inquérito. Ela contou que a vítima já havia procurado a Delegacia da Mulher em outras ocasiões e, além desse fato, haviam registros de lesão corporal, incêndio criminoso, furtos e ameaças. Em depoimento no dia posterior ao fato, a doméstica contou para a polícia que ele tentava acertar o rosto e a parte frontal dela com a faca e ela conseguiu se defender.

Também foi ouvido o filho mais velho do casal. O jovem, de 19 anos, contou que ficou sabendo do fato no dia, pois seu pai ligou contando que havia machucado sua mãe. Após isso, o adolescente contou que ligou para a mãe e ela falou o que tinha acontecido. Ele também ressaltou que viu dois fatos de discussões.

No interrogatório, o acusado contou que não queria matar a mãe dos seus filhos, mas queria tirar ela de lá. Ele também contou que, mesmo após a separação, a vítima ia até a sua casa, em Candiota, ficar com ele. “Eu descobri por acaso que ela estava trabalhando lá, vim em Bagé e fui tomar uma cerveja. Quando vi ela chegou para trabalhar, não peguei ela pelo pescoço, agarrei ela pelo braço e a dona do estabelecimento e o filho dela interviram. O filho da dona me bateu muito”, ressaltou. Ele disse, então, que lembrou que estava com o canivete no bolso e usou para sua defesa. “Não sabia nem em quem estava acertando. E as ocorrências que ela registrou são mentiras. Nunca fiz nada disso. Não coloquei fogo em cortina nenhuma”, concluiu.

 

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