ANO: 25 | Nº: 6398

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
29/09/2018 Marcelo Teixeira (Opinião)

Enfim, é primavera!

Sábado passado, 22 de setembro de 2018, enfim, terminou o inverno aqui no lado de baixo do Equador, mais especificamente aqui no paralelo 31, na Rainha da Fronteira que, pelo menos desde maio, sofre com temperaturas baixas.
Na segunda quinzena de abril deste ano, viralizou, nas redes sociais, uma postagem que anunciava que teríamos um dos invernos mais rigorosos dos últimos 100 anos. Uma coisa capaz de colocar em xeque até a tese do aquecimento global. Quase a materialização de “O Dia depois de Amanhã” (The Day After Tomorrow, EUA, 2014). Descontados eventuais exageros de minha parte e dos boateiros, depois de vários anos com invernos fraquinhos, repletos de veranicos, a notícia nem chegou a assustar, sobretudo aqui para 'nosotros', acostumados com 'friacas de renguear cusco'. Seria apenas uma volta à normalidade!
Não demorou muito para que meteorologistas respeitados se manifestassem no sentido de desmentir aquela projeção. Não havia indicadores climáticos que confirmassem aquela previsão de um inverno tão severo, ou seja, aquele anúncio que viralizou estava mais para uma “fake news” do que para um prognóstico com fundamento.
A MetSul, empresa de meteorologia, lá no dia 21 de abril, publicou nas redes sociais a seguinte nota: “Notícia que corre a internet afirma que este será o inverno mais frio em um século no Brasil. Falso! Apesar de, tecnicamente, a chance disso ocorrer não ser zero, a probabilidade estatística que ocorra é absurdamente pequena. Ao contrário, os dados analisados mostram, hoje, ser provável um inverno com temperatura acima da média histórica. A nota, cujos profissionais citados nela negam as declarações, atribui o suposto inverno de frio violento ao fenômeno La Niña. Ocorre que o evento de La Niña iniciado em 2017 está nos seus últimos dias e o inverno deste ano, segundo alguns modelos, pode marcar o começo de um El Niño.”
Pois bem, terminado o inverno e ainda que tudo indique que ele, de fato, vai continuar nos incomodando mais um pouco, já é possível fazer uma avaliação concreta sobre quem, afinal, estava com a razão: os autores da suposta “fake news” ou os meteorologistas que a contestaram.
Bueno, de fato, o inverno até pode não ter sido dos mais rigorosos dos últimos cem anos, mas tudo indica que as temperaturas não ficaram acima da média como previu a MetSul. E, se a memória não falha, não lembro de nenhum inverno tão extenso e tão perene. O frio e a umidade começaram em maio, no outono, e entraram primavera adentro. Alguns dias foram mais frios, outros menos, mas sempre frio. Não recordo de nenhum veranico, mas sim de inúmeras sequências de muitos dias nublados e úmidos, como ocorreu nesta semana ainda. Enfim, uma dura prova de resistência para o nosso organismo. Um inverno que não foi tão forte, mas foi muito longo. Não foi intenso, mas foi extenso.
Resumindo e concluindo, se a divergência fosse uma partida de futebol e o resultado pudesse ser simplificado como em uma aposta da loteria esportiva, deu coluna do meio. O inverno não foi tão rigoroso como disse a fake news, mas também não foi suave como disse o desmentido. As temperaturas ficaram abaixo da média dos últimos anos e o tempo de duração do frio também foi atípico. É isso aí, foi um inverno difícil até para quem, como nós, está acostumado.

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