ANO: 25 | Nº: 6207

Dilce Helena Alves Aguzzi

dilcehelenapsicologa@gmail.com
Psicóloga
02/10/2018 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Sobre educação, boas maneiras e bom senso

Parece óbvio estas três questões serem essenciais ao bom convívio entre as pessoas. Entretanto, infelizmente, talvez não seja tão óbvio assim. Aliás, qualquer bom observador pode notar que hoje quem as possui e exercita no dia a dia se destaca, quase como se fosse um extraterrestre convivendo entre nós!
Muitos obstáculos se interpõem ao desenvolvimento de noções básicas de civilidade, entre elas se sobressaem a pressa constante e ansiedade, a crescente superutilização da tecnologia e por fim a percepção equivocada de que é coisa ultrapassada, mais ou menos como se para parecer jovem e atualizado tenha que passar recibo de grosseria e total falta de noção sobre respeito.
Eu teria muitos exemplos para ilustrar meu argumento para este tema, mas vou citar apenas aqueles que se repetem com maior frequência e imagino que você também se identifique.
Quantas vezes no prazo de uma semana vimos estas situações acontecerem?
- Telefone toca, a pessoa olha, percebe de quem é a chamada e prefere ignorar e enviar, mais tarde, mensagem de texto ou áudio. Não se trata de falta de tempo e sim falta de vontade, de disponibilidade para o outro.
- Duas pessoas conversando, uma delas interrompe toda hora o diálogo e responde coisas mecânicas ou fora de contexto porque o seu foco de atenção está no celular, sequer olha para o seu interlocutor. Neste caso falta educação para lidar com a tecnologia e seu poder de sedução, é preciso saber que a prioridade é sempre do ser humano a nossa frente.
- Um adulto fala com uma criança ou adolescente, dizendo oi ou uma pergunta corriqueira do dia a dia e é totalmente ignorado com a anuência ou displicente justificativa dos pais de que "não é bom" obrigá-los a isso. Ocorre uma confusão entre não obrigar os filhos a cumprimentar beijando com permitir que cresçam desconhecendo normas básicas de cordialidade, boa convivência e educação.
- Alguém comenta sobre assunto polêmico na presença de pessoa que discorda diametralmente desta opinião e reage expondo seu ponto de vista desqualificando o primeiro argumento. Obviamente se trata de falta de noção de oportunidade. Nem sempre estamos em um debate onde nossos argumentos devem ser expostos à exaustão. Grosseria e franqueza são coisas diferentes. Não precisamos concordar com tudo, entretanto os outros não necessitam de nossa aprovação para pensarem diferente. Aceitar a divergência também mostra boas maneiras e senso de ocasião.
Parece que vivemos um bom momento para se voltar a dar atenção à etiqueta, boas maneiras e noções mínimas de convivência e civilidade. Precisamos encontrar uma forma para que elas cheguem com coerência e sentido adequados às novas gerações. Do contrário, teremos cada vez mais que lidar com pessoas sem habilidades sociais mínimas, o que é bastante grave, pois o ser humano é um ser social, ou seja aprende e se desenvolve através do convívio. Como conseguir isso sem reconhecer a existência e o valor do outro?

OLHO
É preciso saber que a prioridade
é sempre do ser humano

 

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...