ANO: 25 | Nº: 6458
05/10/2018 Cidade

Retomada de voos comerciais deve contribuir com o transporte de pacientes

Foto: Tiago Rolim de Moura

Municipio pretende firmar convênio com empresas de aviação
Municipio pretende firmar convênio com empresas de aviação

por Jaqueline Muza

As tratativas para a retomada dos voos comerciais projetam melhorias muito além da mobilidade. A possibilidade de Bagé realizar um convênio com as empresas de aviação para o Tratamento Fora do Município (TFD) é uma das possibilidades para a rapidez e agilidade do transporte de pacientes para Porto Alegre, além de ser uma das alternativas para a sustentabilidade da rota.

O município de Bagé poderá ter duas empresas de aviação operando voos comerciais no Aeroporto Internacional Comandante Gustavo Kraemer, administrado pela Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), em Bagé, até o Salgado Filho, em Porto Alegre. A empresa Azul, primeira a acenar com a possibilidade de itinerários diários entre a Rainha da Fronteira e a capital, confirmou o início dos voos a partir de fevereiro de 2019.

O diretor da empresa Azul, Ronaldo Veras, deverá vir ao município no dia 15 de outubro para finalizar as tratativas com a prefeitura e o comando do aeroporto. O transporte dos passageiros ainda não foi debatido com a empresa. Já a Two/Flex Táxi Aéreo, que fará voos em parceria com a Gol, aguarda trâmites para o início das atividades .

Conforme o secretário do Desenvolvimento Econômico, Ciência, Tecnologia e Inovação, Bayard Paschoa Pereira, a possibilidade do município realizar o convênio para o transporte de passageiros é debatida desde o início da atual gestão. O serviço, segundo ele, traria vantagem econômica ao município, além de agilizar e dar conforto para os pacientes. “Com os voos, Bagé estará recolocado na rota dos investimentos e investidores e, além disso, é um sonho que estaremos concretizando”, relata.

Tratamento Fora do Domicílio

O TFD atende cerca de 3,5 mil pessoas, mensalmente, com viagem de consulta para Pelotas, Rio Grande, Lajeado, Santa Maria e Canoas. Somente para Porto Alegre, o número de consultas gira em torno de duas mil mensais. Conforme o coordenador do TFD e Exames da Secretaria Municipal de Saúde e Atenção de Pessoas com Deficiência, Michelon Garcia Apoitia, os voos serão de extrema importância para complementar o serviço. “Dependendo da situação, o paciente pode não ter condições físicas de ir em um transporte coletivo ou estar em situação pós-operatória. Nestes casos é necessário um transporte com mais conforto ou adaptado”, explicou.

Apoitia salienta que, atualmente, o município está mantendo o serviço, visto que o governo do Estado não está repassando os valores para o TFD e, para tanto, também disponibiliza uma Casa de Acolhimento, em Porto Alegre, para bajeenses e familiares que se deslocam para a capital. Para requerer o transporte, o paciente deve ir até a recepção da Central de Exames, que fica em anexo à Secretaria de Saúde, e solicitar a passagem, no caso da capital, ou alguns dos novos veículos da frota (van, micro-ônibus, carro ou ambulância.

Uso do serviço

A merendeira Cláudia Paz, 32 anos, se trata com reumatologista, em Porto Alegre, devido a fibromialgia. A paciente acredita que os voos iriam auxiliar muito, principalmente em casos mais urgentes e até para pessoas que tratam câncer e necessitam de quimioterapia e radioterapia na capital. “Tem pessoas que precisam de consultas periódicas e a viagem é muito cansativa”, ressalta.

A dona de casa Veridiana Machado Brás sofre com dores e inchaços devido ao Lúpus. Ela se tratava em Bagé, mas há sete meses estava tentando uma consulta em Porto Alegre com um hematologista. A enfermidade se agravou e ela conseguiu passar pela triagem para a consulta. Mesmo com o quadro se agravando neste período em que não estava sendo atendida, ela afirma que o transporte através dos voos deveria ser realizado para pacientes com mais urgência. “Não consigo ficar muito tempo sentada, mas tenho medo de altura. Só por isso não sei se iria de avião”, pondera.

Tratativas

A vinda da Azul para Bagé vem sendo debatida há muito tempo. A ex-vereadora Cláudia Souza foi uma das articuladoras da demanda enquanto esteve na Câmara. O prefeito Divaldo Lara, do PTB, que tem a retomada dos voos comerciais como uma das bandeiras do governo municipal, recebeu o diretor da empresa, Ronaldo Véras, em outubro de 2017. Durante a agenda no município, foi entregue ao Executivo um dossiê destacando as potencialidades da Campanha gaúcha. Desde então, mesmo após um longo tempo, a Azul manteve a meta de operação comercial na cidade.

Maior malha nacional
A Azul Linhas Aéreas Brasileiras S.A. foi fundada e homologada em 2008. A empresa conta, atualmente, com a maior malha aérea do País, atendendo mais de 100 destinos, com 792 decolagens diárias. A companhia também oferece voos diretos para os Estados Unidos e Portugal, operando com as aeronaves A330. A empresa defende a missão de estimular o tráfego aéreo e dinamizar a economia brasileira por meio de uma equação tão simples de entender quanto difícil de imitar: preços baixos com alta qualidade de serviços.

Gol/Two Flex

Através de nota, a Gol informou que realiza estudos constantes para ampliar sua atuação regional, ainda em 2018, aumentando as opções já oferecidas atualmente aos clientes. Além disso, estuda a possibilidade de firmar parcerias com companhias aéreas de menor porte para realizar estas operações. Porém, a companhia esclarece que, neste momento, não há novidades sobre novos destinos regionais para Bagé.

Infraestrutura do aeroporto
O terminal bajeense operou voos regulares por mais de 18 anos. As operações com vendas de passagens funcionaram até 1998.
O aeroporto recebe em torno de 60 aeronaves de táxi aéreos, jatos executivos e helicópteros anualmente. Do ponto de vista estrutural, já está preparado para a retomada das operações comerciais.
A pista possui 1,5 mil metros de comprimento, por 30 metros de largura. A estrutura passou por reformas em 2012. O aeroporto, que opera com 15 colaboradores e sete terceirizados nos setores de vigilância e limpeza, pode receber aeronaves de porte pequeno e médio, com até 70 passageiros - caso das aeronaves da Azul.
O Serviço de Prevenção, Salvamento e Combate a Incêndios (Sescinc) é realizado pelos funcionários. A estrutura possui caminhão de bombeiros, veículo de apoio ao resgate e salvamento, Posto de Coordenação Móvel, ambulância e equipamentos para respiração.
O terminal também está estruturado com equipamentos para auxílio a navegação aérea, para localização do aeródromo, para balizamento de aerovias, estação meteorológica, farol rotativo, balizamento de pista e biruta iluminada.
O espaço interno também passou por várias reformas e possui saguão panorâmico, espaço cultural, estacionamento, banheiros adaptados para pessoas com deficiência, terminal de passageiros climatizado com balcão de check-in, sala de embarque e desembarque, além de salas para órgãos públicos.
O início
Tudo iniciou em 1932, quando o Aeródromo Municipal de Bagé foi fundado em uma área que hoje pertence ao Aeroclube de Bagé. Onze anos mais tarde, em 1943, a estrutura mudou de lugar, instalando-se no local onde ainda hoje se encontra. Após a construção do primeiro terminal de passageiros, erguido em madeira de lei, próximo à cabeceira da pista 14, foi inaugurado o Aeroporto de Bagé, em 5 junho de 1946.
A denominação Aeroporto Comandante Gustavo Kraemer foi realizada em 8 de fevereiro de 1952, em homenagem ao fundador da empresa Savag - Sociedade Anônima Viação Gaúcha. Na década de 60, foram construídas as pistas 6/24 de concreto, medindo 1500 x 30m, e o pátio de manobras, medindo 65 x 55m. O atual terminal de passageiros foi inaugurado em 5 de março de 1974, com a presença do então presidente da República, Emílio Garrastazu Médici.
Em 27 de outubro de 1980, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero), assumiu a administração do aeroporto. A primeira obra sob a responsabilidade da empresa foi a construção da Seção Contra Incêndio (SCI), para abrigar os caminhões de bombeiro, ambulância e demais veículos de apoio. Também foram construídas sala de aula, oficinas de manutenção, refeitório, sanitários e vestiário.
Em 2001, o aeroporto foi habilitado a receber voos internacionais. Com isso, foi registrado um aumento considerável no número de operações, especialmente a partir do Uruguai e da Argentina, envolvendo aeronaves que faziam sua entrada no país através de Uruguaiana ou Porto Alegre. Bagé foi escolhida como local de pouso devido a sua posição geográfica, que presta apoio de orientação às aeronaves que passam na rota internacional de saída do país, às quais fazem a última correção da rota através de um sinal automático do equipamento NDB instalado no aeroporto.
Em 2005, o terminal de passageiros foi todo reformado e ampliado, passando de 260 metros quadrados para 520 metros quadrados, contando com salas de embarque e desembarque, salas para os órgãos públicos e cobertura da parte frontal do terminal. Além disso, conta ainda com climatização em todos os ambientes e sala vip.
Tecnicamente, o aeroporto está equipado para voos noturnos através do balizamento de pista e do farol de aeródromo. As demais operações são garantidas através da sala de navegação aérea, responsável pela orientação das aeronaves para pousos e decolagens. Conta, ainda, com gerador próprio de energia, sistema de radar VOR e estação meteorológica automática – EMS.

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