ANO: 24 | Nº: 6104

Marcelo Teixeira

marceloct@ymail.com
Advogado e professor universitário - Urcamp
06/10/2018 Marcelo Teixeira (Opinião)

O que mais importa

Neste domingo, será divulgado o resultado da verdadeira pesquisa eleitoral que tende, mais uma vez, a surpreender e desmoralizar as pesquisas de intenções de voto que vinham sendo feitas desde o início de setembro.
Na medida que nada de grave acontece com os institutos que erram feio, eles apenas vão ficar se explicando por alguns dias até que todo mundo esqueça e eles voltem a ser contratados pela grande mídia na tentativa descarada de induzir os eleitores no segundo turno, ou nas próximas eleições.
Parafraseando uma crítica dirigida aos economistas, feita pelo economista francês Jacques Attali, o instituto de pesquisa eleitoral é capaz de explicar no dia seguinte porque na véspera disse o contrário do que está acontecendo hoje.
Além desses erros que, em meu sentir, não têm nada de casuais, essas pesquisas criam uma expectativa sobre a eleição majoritária (presidente e governador) que acaba tirando a atenção da eleição que, este ano, entendo ser a mais importante que é a eleição para o Congresso Nacional (deputados federais e senadores).
Entendo ser a mais importante porque os candidatos à presidência com mais chances – segundo os institutos de pesquisa – de disputar o segundo turno ou de serem eleitos já no primeiro turno são de partidos com bancadas pequenas e mais, se por um lado são os preferidos pela maioria dos pesquisados, simultaneamente são também os mais rejeitados, ou seja, lideram na aceitação e na rejeição. Esse quadro permite antecipar, infelizmente, que a polarização raivosa vai continuar porque o Brasil continuará dividido.
Nesse contexto, assuma quem assumir, vai enfrentar uma pressão política externa cavalar e, com pequeno apoio parlamentar de seus partidos criam-se condições políticas muito adversas. Assim sendo, o risco de mais um impeachment será real e presente desde muito cedo, tanto que isso já foi antecipado até na campanha eleitoral com manifestações assustadoras de lado a lado. Um já "sugeriu" não aceitar outro resultado que não a vitória e o outro já falou em tomar o poder sem ganhar na urna, ou seja, eles já estão se jurando antes mesmo de saber se vão ganhar ou perder. Com um climão destes, o mínimo deslize poderá ser o estopim de um levante popular que poderá encontrar eco dentro do legislativo federal e aí o caldo pode entornar.
A solução para tudo isso passa necessariamente por uma composição política com o Congresso Nacional para viabilizar, pelo menos inicialmente, um clima político interno minimamente harmônico para garantir aquilo que se convencionou chamar de governabilidade. Todavia, por razões diferentes, a tendência é que qualquer um dos prováveis eleitos tenha dificuldades em compor com os demais partidos.
Com todas estas perspectivas em resumo, fica explicada a importância da eleição que está sendo relegada a um plano secundário, não só pela opinião pública (como quase sempre acontece), mas também pelos próprios partidos que montaram nominatas pífias, com muitos candidatos que visivelmente não tem preparo nem projeção para encarar sequer uma disputa para a Câmara de Vereadores, quanto mais para uma das casas no Congresso Nacional.
Será que a vitória na majoritária irá trazer, a reboque, um apoio parlamentar maior que o esperado? Será que as bancadas de oposição ao governo irão diminuir? Qual será o percentual de renovação do Congresso? Enfim, uma série de respostas que serão mais importantes que a própria disputa pela presidência e que poderão até influenciar na disputa do segundo turno, se houver.

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