ANO: 25 | Nº: 6382
08/10/2018 Cidade

Bajeenses avaliam uso da bicicleta como alternativa de locomoção contra aumento da gasolina

Foto: Tiago Rolim de Moura

Entrevistados destacam benefícios à saúde como principal motivo para uso do veículo
Entrevistados destacam benefícios à saúde como principal motivo para uso do veículo
A Rainha da Fronteira deve sofrer, ao longo dos próximos dias, os reflexos de uma nova suba nos preços de combustíveis. Isso porque os preços de pauta para o cálculo do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) sobre os combustíveis foram alterados, semana passada, com base em ato do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz). Em contrapartida aos recentes aumentos nestes preços, surgem alternativas para diminuir o consumo de gasolina, sendo uma delas o uso de bicicletas, que apesar de ganhar força em território nacional, ainda engatinha na região.
A bajeense Renata Lima, 27 anos, se dispôs a aprender a andar de bicicleta, no início de 2017, para fazer o trajeto diário de sua casa, no bairro São Judas, até o centro da cidade. "Para mim, é muito mais barato do que andar de carro, e também é um meio muito mais rápido do que chegar no trabalho de ônibus, porque as duas linhas que passam aqui fazem uma volta muito maior para chegar no centro da cidade", explica.
Renata conta que, em 2016, precisou vender seu carro, pois mesmo que a gasolina ainda não tivesse alcançado o seu preço atual, o combustível já era 'muito caro' para alguém com sua renda, e que também precisava arcar com as manutenções do veículo. "Pode parecer uma militada desnecessária, mas a mulher que leva seu carro ao mecânico sozinha, sofre, sim, um certo preconceito. Eles cobram a mais e fazem, sim, coisas que não são necessárias", salienta a bajeense, que também destaca os benefícios à sua saúde, causados pela decisão. "Como eu gastava muita energia andando de bicicleta, aprendi a respeitar o horário de dormir e também precisei reeducar a minha alimentação. Hoje, eu perdi 12 quilos e consigo manter esse peso sem fazer muito esforço devido a essa qualidade de vida que adotei", ressalta.
De acordo com o proprietário de uma empresa especializada na venda e manutenção de bicicletas, Pedro Regert, embora as vendas da "magrela" estejam crescendo na Rainha da Fronteira, devido ser uma forma de locomoção com benefícios à saúde, ainda falta estrutura para que a mesma seja utilizada como única opção de transporte dentro da cidade. "Para a função de mobilidade, acho que a gente tá um pouco longe ainda. Vamos precisar de um pouco mais de investimento dos órgãos públicos para isso, como novas ciclovias e estacionamentos de bicicleta", explica o empresário, que destaca a falta de ligação entre as ciclovias da cidade como um problema a ser enfrentado.
Para o presidente do clube Audax Bagé, Heron Regert, a troca do carro pela bicicleta ainda está distante da realidade, já que muitas vezes as pessoas se tornam 'reféns' dos automóveis, devido ao mesmo ser uma opção mais confortável. "Quando tu tem família, por exemplo, tu vai acabar sendo 'refém' do carro, até pela tua comodidade", destaca.
Heron comenta que, apesar da preocupação com a saúde, e que o aumento da gasolina e a instalação do estacionamento rotativo na cidade tenham causado a diminuição do consumo abusivo de gasolina, muitos bajeenses ainda não têm o hábito de usar a bicicleta para percursos mais curtos. "É questão de costume, de colocar a bicicleta no teu dia a dia. Tem pesquisas a nível mundial que confirmam que até oito quadras, a bicicleta é o meio de locomoção mais rápido", declara o ciclista, o qual recomenda aos iniciantes que evitem as ruas de maior fluxo e tentem utilizar as ciclovias.

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