ANO: 25 | Nº: 6379
12/10/2018 Cidade

Santidade de Sepé Tiaraju é reconhecida pelo Vaticano

Foto: Reprodução JM

Índio é reconhecido como herói guarani missioneiro rio-grandense
Índio é reconhecido como herói guarani missioneiro rio-grandense
Um pedido que partiu de Bagé, através do bispo, hoje emérito, Dom Gílio Felício, se tornou realidade. O Vaticano reconheceu a santidade de Sepé Tiaraju, que na devoção popular já é santo (São Sepé), como guarani cristão e católico, morto na defesa do seu povo contra dois impérios.

De acordo com o bispo emérito, o processo iniciou há cerca de dois anos, quando ele levou à Roma as razões e as assinaturas de mais de 100 autoridades políticas, de padres, de intelectuais das diversas áreas, e, então, recebeu a liberação do Vaticano para começar o processo de reconhecimento oficial da santidade do índio.

Dom Gílio comenta que, na ocasião, veio o esclarecimento de que Sepé Tiaraju já podia ser invocado como "Servo de Deus", que é o primeiro passo para à "beatificação" e depois à "canonização". "A partir de agora, os fiéis serão informados da liberação e será possível começar a invocar em orações pedindo benção. Os relatos de milagres serão enviados ao Vaticano", disse.

Sepé Tiaraju é reconhecido como herói guarani missioneiro rio-grandense e herói da pátria brasileira enquanto defensor da dignidade do povo brasileiro até sua morte, ocorrida quando Espanha e Portugal chegaram nas terras guaranis em que hoje está a cidade de São Gabriel, portanto diocese de Bagé. Essa foi a razão pela qual o bispo acolheu as assinaturas e se tornou o agente deste primeiro passo junto à Congregação para a Causa dos Santos, do Vaticano.

História

Tiaraju foi um guerreiro indígena brasileiro, considerado santo popular e declarado "herói guarani missioneiro rio-grandense" por lei. Chefe indígena dos Sete Povos das Missões, liderou uma rebelião contra o Tratado de Madri. Sepé é, historicamente, conhecido por ter resistido aos ataques militares espanhóis e portugueses do período colonial.

A região em que estavam localizadas as comunidades indígenas Guaranis pertencentes aos Sete Povos das Missões, que ocupavam uma enorme área que abrangia parte do sul do Brasil e do norte da Argentina, próxima à fronteira com Paraguai, no Sul do Brasil. Os episódios de resistência liderados por Sepé Tiaraju desencadearam novos movimentos de luta indígena após a sua morte, em 2 de fevereiro de 1756, durante uma batalha com os espanhóis. As lutas que levaram Sepé Tiaraju e seu povo à resistência foram desencadeadas pela tentativa de desocupação de territórios dos Sete Povos das Missões, objetivo definido pelo Tratado de Madrid.

A história de Sepé Tiaraju tornou-se tema literário. Entre as obras, é considerada a mais importante "Romance dos Sete Povos das Missões", de 1975, de Alcy Cheuiche, que retrata a vida do guerreiro indígena brasileiro. A luta liderada pelo guerreiro contou com o apoio de alguns missionários jesuítas, como Padre Altamirano e Padre Balda, que estavam na região com a missão de catequizar os índios à mando da metrópole. O apoio de padres e figuras religiosas é ressaltado nos documentos e obras que relatam a vida de Sepé Tiaraju. Na época, os jesuítas estavam, em sua maioria, contra as lutas indígenas, ao contrário do que acontece com a resistência liderada por Sepé.

A figura de Sepé Tiaraju permanece na história do povo rio-grandense como um ícone heroico que fez parte da formação da identidade e do território do Rio Grande do Sul.

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