ANO: 24 | Nº: 6108

Rochele Barbosa

rochelebarbosa@gmail.com
Jornalista formada pela Universidade da Região da Campanha. Responsável pela produção e reportagem do caderno de Saúde do Jornal MINUANO
15/10/2018 Caderno Minuano Saúde

O uso de chás em benefício da saúde e bem-estar

Foto: Divulgação

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As plantas medicinais sempre fizeram parte da terapêutica dos primeiros registros de civilizações da antiguidade. O continente sul-americano culturalmente incorporou a utilização de plantas medicinais em rituais religiosos, na alimentação e como forma de tratamento convencional de certas condições se saúde. O Brasil, considerando sua diversidade cultural, é um país em que o conhecimento e o uso de plantas medicinais é passado de geração para geração. Já há algum tempo, estudos científicos envolvendo a biodiversidade da flora brasileira mostram com propriedade as vantagens do consumo de espécies nativas e mesmo das exóticas adaptadas. Entretanto, alguns trabalhos apontam os riscos à saúde, considerando o uso desmedido de plantas medicinais.

A busca incessante de métodos complementares para o benefício da saúde e bem-estar das pessoas favorece a ampla difusão do consumo de plantas para fins medicinais e mesmo o desenvolvimento de medicamentos fitoterápicos.
A Fitoterapia é a ciência que estuda o uso de produtos de origem vegetal com finalidade terapêutica; uma planta medicinal é qualquer planta que quando administrada a um paciente desencadeia um efeito biológico, benéfico ou maléfico; já os termos fitoterápico, medicamento fitoterápico ou fitomedicamento correspondem aos produtos terapêuticos manipulados ou produzidos industrialmente a partir de plantas medicinais ou de extratos padronizados das mesmas.
Os medicamentos fitoterápicos na Europa estão enquadrados na medicina tradicional. Na Alemanha, por exemplo, o ato de prescrição da fitoterapia é corriqueiro, servindo como modelo a outros países e como referência para pesquisa no meio científico. A Farmacopeia Alemã, juntamente com a Farmacopeia Francesa são as que contêm o maior número de monografias de plantas com emprego no ocidente.
Nesta edição, as professoras e farmacêuticas da Urcamp Ana Paula Simões Menezes e Patrícia Albano Marino explicam a importância destes componentes. 


Tipos de chás e suas finalidades
A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) adota duas classificações para produtos comercialmente provenientes de plantas medicinais: aqueles classificados como Produto Tradicional Fitoterápico (PTF), representados, atualmente, por 16 plantas cuja segurança e eficácia são comprovadas pelo tempo de uso de até 30 anos, sendo as mesmas popularmente conhecidas como arnica (uso tópico) , calêndula, eucalipto, alcaçuz, hamamelis, garra-do-diabo, camomila, espinheira-santa, melissa, guaco, passiflora, boldo, sabugueiro, cardo mariano, confrei (uso tópico) e unha-de-gato. Também há os Medicamentos Fitoterápicos (MF) caracterizados como aqueles que a segurança e eficácia são comprovadas por meio de estudos clínicos. Neste caso poderemos citar a castanha da índia, centella asiática e o ginkgobiloba, como os de maior apelo popular.
De acordo com as farmacêuticas Ana Paula Simões Menezes e Patrícia Albano Marino, o chá é a forma de uso mais convencional de plantas medicinais. Além disso, é considerada bebida segura para consumo, pois os princípios ativos das plantas (cujo termo correto em fitoterapia é marcador farmacológico) são extraídos com água em menor quantidade e, assim, há poucos relatos de reações adversas.
Os chás medicinais compreendem o uso de apenas uma planta (chá simples) ou mais de uma (chá composto), e neste caso, a bibliografia alemã salienta como segura a associação entre quatro a sete diferentes plantas, no máximo. Entretanto, existem os chás não medicinais que são consumidos por prazer ou apenas para apreciar o ritual de preparo da bebida. Seu consumo e os efeitos sensoriais por ele proporcionados apresentam diferentes cheiros e sabores. 
As profissionais garantem que para preparar um chá podemos utilizar a planta fresca, após a colheita, ou a planta seca, geralmente obtida comercialmente. Considerando o emprego terapêutico, recomenda-se o consumo de três xícaras de chá por dia (manhã, tarde e noite). Entretanto, dependendo da ação biológica da planta, restringe-se o uso pela noite, como, por exemplo, chás com ação diurética e estimulante.




Há basicamente três maneiras de preparo dos chás:

- Infusão: derramar água fervente sobre a quantidade indicada da erva, cobrir a vasilha por 5 a 10 minutos e coar com peneira. Este método de preparo é o indicado quando utilizamos as folhas e flores das plantas.
- Decocção: cobrir as ervas medicinais com água fria e levar ao fogo. Deixar ferver por 5 a 10 minutos e coar com peneira antes do consumo. Indicado para o preparo de chás feitos com caules, raízes e rizomas, ou seja, partes duras das plantas.
- Maceração fria: cobrir a planta com água fria e deixar descansar por 6 a 8 horas em temperatura ambiente e coar antes de consumir.

Estas dicas de modo de preparo e consumo são as de maior utilização, porém algumas espécies vegetais apresentam particularidades, seja em relação à parte da planta utilizada, modo de preparo ou consumo.
Deve-se atentar que as plantas medicinais são oriundas da natureza, sendo assim sua composição química e atividade biológica tornam-se variáveis, considerando sazonalidade, exposição ambiental, modo de armazenamento e preparo, dentre outros fatores, salientando que a qualidade do produto deve ser considerada no momento de sua aquisição.
Aconselha-se não consumir chás medicinais por um longo período, devido à falta de estudos sobre o potencial tóxico, pois o conhecimento que respalda o uso de plantas medicinais ainda provém do conhecimento popular. Reações alérgicas e desconforto estomacal são as manifestações mais decorrentes do uso de ervas medicinais quando consumidas na forma de chá. Relatos de casos de intoxicação e reações adversas descritas na literatura geralmente se devem ao uso de fitoterápicos utilizados na forma de comprimidos ou cápsulas contendo extratos secos, pois os marcadores farmacológicos estão sob a concentrada.
O consumo de chás de forma rotineira deve ser informado ao médico e demais profissionais da saúde antes do início de qualquer tratamento com medicamentos, uma vez que produtos vegetais possuem componentes químicos que podem interagir com medicamentos. Como exemplos, podemos citar os fármacos sedativos e hipnóticos (“tranquilizantes”) e antidepressivos, que podem ter sua absorção mais lenta se usados junto com ervas que contêm substâncias químicas chamadas taninos (como exemplo, chá verde, espinheira-santa, camomila, macela, entre outras). Alguns chás também podem diminuir o efeito dos medicamentos antidiabéticos orais. Por isso, informações com profissionais especializados são uma alternativa para sanar dúvidas.

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