ANO: 25 | Nº: 6380
19/10/2018 Editorial

Dependência digital ou de informação?


Não que seja algo desconhecido, ou mesmo pouco perceptível. Mas é fato que a necessidade do ser humano pelas tecnologias atuais, em especial às provenientes da internet, tomou proporções, talvez, muito acima do projetado quanto a mesma fora concebida. E isso pode ser vislumbrado a cada dia que passa.
O período atual, em que as eleições dominam rodas de conversas, tende a ser um dos mais oportunos possíveis para uma abordagem avaliativa. Até então, o simples notar de famílias reunidas em silêncio, mais concentradas em postagens em redes sociais do que instigadas a dialogar entre seus entes mais queridos já seria algo chocante. O que é, de fato. Mas no atual momento, a questão é influência sobre a liberdade de pensamento.
Há uma técnica publicitária que sugere que a repetição, por períodos específicos, pode nortear os rumos comerciais de um determinado cliente. Enfim, tal tese argumenta que expondo, através das mídias ou mesmo algum recurso alternativo de transmissão de mensagem, o público-alvo a um produto, esse item passará a ser buscado pelo referido consumidor. No caso das eleições, o produto é o voto. Então, estimular o eleitor a optar por um ou outro candidato é uma tática básica de qualquer campanha.
Em anos anteriores, normalmente, o que se via era que a exposição na televisão ou rádio, durante o tradicional horário eleitoral gratuito, praticamente decidiu os rumos do pleito. Ou, pelo menos, em parte. O caso é que os com mais espaço saíam em vantagem e se aproximavam de alcançar o objetivo final. Este ano, porém, é a internet que assumiu o papel.
A questão, que pode até ser avaliada como natural, se usados outros exemplos, como a eleição norte-americana, não é o impacto, mas como tal influência vem sendo praticada. Um levantamento realizado pelos professores Pablo Ortellado (USP), Fabrício Benvenuto (UFMG) e pela agência de checagem de fatos Lupa, publicado nesta semana, mostrou que uma análise em 347 grupos de WhatsApp encontrou, entre as imagens mais compartilhadas, apenas 8% podendo ser classificadas como verdadeiras. Ou seja, um dos principais meios de comunicação da atualidade, que poderia servir para informar melhor os eleitores, está sendo utilizado de forma contrária, desinformando.
Essa análise, em suma, somente alerta para um perigo atual. Muito mais que dependentes do mundo digital, estamos visualizando uma efetiva dependência de comunicação que, se não enfrentada, poderá comprometer qualquer tentativa de colocar o País, de fato, no rumo do progresso tão almejado.

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