ANO: 25 | Nº: 6378

José Carlos Teixeira Giorgis

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Desembargador aposentado e escritor
20/10/2018 José Carlos Teixeira Giorgis (Opinião)

A suástica

Embora disseminada pelo nazismo a palavra suástica é sânscrita e parece significar “está bem”; é também conhecida como “cruz gamada” pois constituída por quatro “gamas” gregos maiúsculos em ângulos retos unidos pela base. É um dos símbolos mais encontrados na antiguidade europeia, no Egito, Índia, Japão e na América pré-colombiana. Paulo Naudon diz que, para os árabes, é manifestação de força material e espiritual, ou movimento. Na Índia (2500 anos a.C) era diagrama místico de bom augúrio, também aparecendo nos monumentos da China, Síria, Caldeia, México e tida como um dos atributos de São João.
Sua posição normal é ser orientada para o Oriente, em direção ao Sol: para a esquerda e lado Ocidente, onde morre o sol, ela muda de grafia (swastica). É sinal iniciáticos que marca a procura dos prazeres materiais. Para os brâmanes e budistas manifestava felicidade, saudação e salvação, também vida e perfeição.
Ao estudar a cruz gamada, o escritor Anibal Vaz Melo afirma que ela deu origem ao culto da Sagrada Família, eis que para produzir-se uma chama, friccionaram-se dois madeiros unidos por um gancho, introduzindo-se um cone em sua cavidade que, girando produz uma chama (a cruz significa a Mãe; o cone que a penetra, o suposto Pai; o sopro, o espírito, Pai verdadeiro; a chama, o Filho, o Sol).
Evidente, pois, sua natureza oculta, daí surgir entre os pré-nazistas Novos Templários, a Sociedade Thule, a Sociedade Teosófica e a Sociedade Vril, e um grupo ligado à czarina da Rússia. Para outros, a cruz gamada chega ao continente por obra dos cruzados germânicos no tempo de Leopoldo III, o Santo, presente na tradição dos arianos. Escavações de 1871, feitas por Schliemann, encontram artefatos com suásticas, atribuindo-se que tal símbolo religioso estava ligada aos teutões.
Tais trabalhos encontram ressonância com os teosofistas e as obras de Madame Blavatski que, em sua clássica “Doutrina Secreta”, explica os significados dos giros da cruz. Estando ela girando na direção oposta aos ponteiros do relógio obedece sua forma apropriada e benéfica; mas, ao contrário, diz com a oposição à ordem divina, inclinando-se para o mal e a magia negra.
A rotação da cruz tem explicação teosófica. Se gira no sentido do horário ela absorve a energia do universo e salva quem a usa; e no sentido anti-horário emite energia e salva ao próximo, assim representando o micro e o macrocosmo. Durante a II Guerra, os alemães usaram variações do símbolo. A suástica preta, com giro de 45º sobre um dístico branco era emblema das bandeiras nacionais; sobre um quadrado branco era insígnia da Juventude Hitlerista; sobre um fundo branco, alegoria dos aviões da Luftwaffe; suástica preta com giro de 45º sobre um desenho de linhas brancas e pretas contornando um círculo branco era o lábaro de Hitler, com uma grinalda de ouro cercando o símbolo; suástica de braços externos curvos, formando um círculo interrompido era divisa da Divisão Nórdica das SS.
Algumas curiosidades americanas: certa época, a Coca-Cola lança um pingente em forma de suástica; a cervejaria Carlsberg grava o símbolo em suas garrafas; o emblema era distribuído pelos escoteiros até 1940, verdadeiro modismo na época; e os membros da 45ª Divisão de Infantaria usavam uma suástica laranja em suas ombreiras.
A ascensão de Hitler ao poder em 1933 registra a apoteose da propaganda massiva e dirigida: a leitura compulsória de “Minha Luta”; a suástica; os filmes da cineasta Leni Riefenstahl; o controle sobre os meios de comunicação; o arianismo e a eugenia racial; os colossais comícios e os jogos; a perseguição aos judeus, ciganos e homossexuais; o culto do Führer etc.
Hitler, consoante livros e documentários, era adepto dos temas e práticas esotéricas.

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Fontes: Dossiê Hitler, de Sérgio Pereira Couto, Universo dos Livros, 2007. Grande Dicionário Enciclopédico de Maçonaria e Simbologia, de Nicola Aslan, v. 4., Editora Artenova, 1976.

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