ANO: 25 | Nº: 6331

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
20/10/2018 José Artur Maruri (Opinião)

A vida futura

"Tornou pois a entrar Pilatos no pretório, e chamou a Jesus, e disse-lhe: Tu és o Reino dos Judeus? Respondeu-lhe Jesus: O meu Reino não é deste mundo; se o meu Reino fosse deste mundo, certo que os meus ministros haviam de pelejar para que eu não fosse entregue aos judeus; mas por agora o meu Reino não é daqui. Disse-lhe então Pilatos: Logo, tu és rei? Respondeu Jesus: Tu o dizes, que eu sou rei. Eu não nasci nem vim a este mundo senão para dar testemunho da verdade; todo aquele que é da verdade ouve a minha voz". (João, cap. XVIII, 33-37)
Um dos fundamentos básicos, não apenas no Espiritismo como também no Cristianismo como um todo, é a crença na vida futura.
O que restou demonstrado de forma cabal pelas palavras do Cristo Jesus diante dos poderes constituídos do mundo e reproduzidos ao início da coluna.
Para Allan Kardec, a crença na vida futura é um dos pontos centrais dos ensinamentos de Jesus, tanto que mereceu estar colacionado ao segundo capítulo de "O Evangelho Segundo o Espiritismo", pois segundo ele, deve ser a meta de todo homem. Vejamos as colocações de Allan Kardec:
"Todas as suas máximas se referem a esse grande princípio. Sem a vida futura, com efeito, a maior parte dos seus preceitos de moral não teriam nenhuma razão de ser. É por isso que os que não creem na vida futura, pensando que ele apenas falava da vida presente, não os compreendem ou os acham pueris".
Os judeus da época, conforme leciona Kardec, tinham ideias muito imprecisas sobre a vida futura. Acreditavam nos anjos, que consideravam como os seres privilegiados da criação, mas não sabiam que os homens, um dia, pudessem tornar-se anjos e participar da felicidade angélica. Segundo pensavam, a observação das leis de Deus era recompensada pelos bens terrenos, pela supremacia de sua nação no mundo, pelas vitórias que obteriam sobre os inimigos.
Entretanto, Kardec deixa claro que Jesus conformava o seu ensino ao estado dos homens da época, como um grande mestre, evitou lhes dar os esclarecimentos completos, que os deslumbraria em vez de iluminar, porque eles não o teriam compreendido. Ele se limitou a colocar, de certo modo, a vida futura como um princípio, uma lei da natureza, a qual ninguém pode escapar.
Ainda que todo cristão creia na vida futura, muitos ainda fazem dela uma ideia imprecisa, assim como os judeus do tempo de Jesus. Para muitos não passa de uma crença, sem nenhuma certeza definitiva, o que gera, até mesmo a incredulidade.
Enfim, o próprio Allan Kardec assevera que "com o Espiritismo, a vida futura não é mais simples artigo de fé, ou simples hipótese. É uma realidade material, provada pelos fatos. Porque são as testemunhas oculares que a vêm descrever em todas as suas fases e peripécias, de tal maneira, que não somente a dúvida já não é mais possível, como a inteligência mais vulgar pode fazer uma ideia dos seus mais variados aspectos, da mesma forma que imaginaria um país do qual se lê uma descrição detalhada. Ora, esta descrição da vida futura é de tal maneira circunstanciada, são tão racionais as condições da existência feliz ou infeliz dos que nela se encontram, que acabamos por concordar que não podia ser de outra maneira, e que ela bem representa a verdadeira justiça de Deus".
Diante de tais fatos, o Espiritismo, mais uma vez, traz o caráter irrevogável da vida futura.

(Referências: Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Capítulo 2. Itens 01 a 03. FEB Editora)

José Artur M. Maruri dos Santos
Trabalhador da União Espírita Bajeense
Comente: josearturmaruri@hotmail.com

 

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