ANO: 25 | Nº: 6357
20/10/2018 Cidade

Outubro Rosa: um mês para destacar a prevenção e a conscientização sobre o câncer de mama

Foto: Lauren Brasil

Mobilização busca promover informação e conscientização da população sobre a doença
Mobilização busca promover informação e conscientização da população sobre a doença
por Lauren Brasil e Josiane Oliveira de Carvalho
Acadêmicas de Jornalismo da Urcamp

O mês de outubro é um período de atenção à prevenção ao câncer de mama. O movimento conhecido como Outubro Rosa acontece, mundialmente, desde 1990 e tem como objetivo promover informação e conscientização da população.
Esse tipo de câncer é o mais comum entre as mulheres no mundo e no Brasil, respondendo por cerca de 28% dos novos casos a cada ano. O câncer de mama também pode ser diagnosticado em homens, porém é raro, representando apenas 1% do total de casos da doença. De acordo, com o Instituto Nacional de Câncer José Alencar Gomes da Silva (Inca), a estimativa é de 59,7 mil novos casos no ano de 2018.
Diversos fatores podem ser a causa para o desenvolvimento da doença tais como: fatores endócrinos, história reprodutiva, fatores comportamentais, ambientais, fatores genéticos, hereditários, menstruação precoce, menopausa tardia, reposição hormonal, obesidade, ausência de gravidez e a idade. Mulheres mais velhas são mais propensas a desenvolver a doença, sendo entre 40 e 69 anos as principais vítimas.
A prevenção para o câncer de mama consiste no autoexame e na mamografia. Sem dúvidas, a detecção precoce pode salvar vidas, aumentando a chance de cura em 90%. Segundo a administradora da Unidade de Oncologia e Alta Complexidade (Unacon), Marilene Nunes, a vantagem de detectar a doença logo no início é poder ter um tratamento menos agressivo. "O câncer acontece, está aí. Na clínica, temos muitas mulheres se tratando, se for diagnosticado no início, é 90% curável. Então, vamos nos conscientizar, vamos fazer o autoexame e a mamografia, para não precisar passar por um tratamento que não é fácil", ressalta.
Marilene também comentou que o ideal é realizar a mamografia uma vez por ano e fazer o autoexame, sempre que possível, já que é simples e pode ser feito, até mesmo, no banho. Mas a administradora pontuou que o principal é não ter medo. "Muitas mulheres não querem procurar para não achar, o que é um erro muito grande", enfatiza.
O tratamento envolve cirurgia, radioterapia, quimioterapia, hormonioterapia e imunoterapia. De acordo com a enfermeira responsável pelo Centro Integrado de Oncologia (Ciom), Priscila Lara Romariz, a escolha da opção adequada é parte fundamental das ações de controle da doença. "O que vai determinar a seleção do tratamento é a presença ou ausência de receptores hormonais, se já apresenta diagnóstico com metástase ou não, além do estado clínico e idade", esclarece.
Em Bagé, o tratamento pode ser realizado de forma gratuita no Ciom e na Unacon. Priscila explica que é realizado um encaminhamento da rede para a Secretaria de Saúde e de lá para o Ciom, onde são prestadas 50 consultas por mês para mulheres de toda a região da Campanha.
Definido o tratamento, as que fazem radioterapia são encaminhadas para fora do domicílio nas cidades de Pelotas ou Rio Grande e as pacientes que necessitam de quimioterapia são atendidas na Unacon. A clínica oferece tratamento oncológico de hormonoterapia e quimioterapia para 600 pacientes mensais, sendo 95% do Sistema Único de Saúde (SUS) e 5% de convênios, além da realização da medicação venosa e dispensação de medicamentos de forma gratuita.

Tratamento humanizado
Lutar contra o câncer pode ser devastador, para o corpo, para a alma e para a autoestima. Receber o acompanhamento médico apropriado, assim como o apoio da família, amigos e um tratamento mais leve e mais amoroso pode tornar o caminho menos árduo.
Entre tantas inquietações que passam pela cabeça da mulher, depois do susto de receber o diagnóstico de câncer de mama, uma delas é encarar a perda dos cabelos que costuma acompanhar a quimioterapia. Essas agressões à vaidade feminina deixam a paciente cada vez mais fragilizada, mas o tratamento não precisa interferir na sua vontade de explorar o seu novo visual, no prazer de se arrumar e se sentir bonita.
Diante dessa situação de luta pela vida e para tentar amenizar um pouco essa fase difícil, a Unidade de Oncologia e Alta Complexidade (Unacon) realiza o empréstimo de perucas, toucas, chapéus e lenços para as pacientes até o crescimento do cabelo. "Tem que pensar no lado humano do paciente, principalmente da mulher. Pois ela já recebe um diagnóstico que não é fácil. Aí a primeira coisa que ela pergunta quando começa o tratamento é se vai cair o cabelo e isso é bem ruim porque a grande maioria dos tratamentos fazem cair os cabelos. Então aqui na clínica a gente tenta acalentar, não deixar que as pessoas sofram tanto e as perucas que disponibilizamos é uma forma de amenizar a dor", comenta Marilene.
A instituição conta com o apoio de um parceiro que produz as perucas sem custo e com a comunidade que realiza a doação de cabelo, que precisa ser de no mínimo 15 centímetros, formando assim uma cadeia que termina em alegria e superação.
Luíza Thiely Camargo Marques, de 12 anos, que doou o cabelo pela primeira vez com sete anos, fala da felicidade em fazer uma boa ação e poder ajudar as pessoas. "Nesse ano de 2018, eu resolvi cortar de novo porque eu lembrei da primeira vez e eu queria voltar a fazer e ajudar as pessoas com o que eu tenho. Porque é muito emocionante poder fazer as pessoas mais felizes e eu me toco com essas histórias", confessa.
Além de cuidar da vaidade, é preciso cuidar da mente, e foi pensando nisso que o Ciom e a Unacon oferecem o tratamento de musicoterapia. Não importa o ritmo. A música faz bem para os ouvidos, corpo e mente. Na musicoterapia, o som, a melodia são as ferramentas para o tratamento do câncer de mama.
Conforme Ana Maria Delabary, que trabalha com musicoterapia há 20 anos e é voluntária no grupo com aulas interativas, as pacientes tocam instrumento, cantam e movimentam o corpo. Ana também destacou que o objetivo dos encontros é dar apoio e ânimo durante o tratamento. "A música potencializa todo o tratamento porque pode atingir várias partes do nosso ser. E isso que é importante para nós. Que as pessoas coloquem a música naquele lugarzinho que elas precisam colocar", destaca.
Para Elisa Dutra, que descobriu o câncer em 2014 e que desde então participa do grupo, os encontros ajudaram a superar uma depressão causada pela descoberta do câncer e também trouxe um grande benefício para o tratamento superando todas as expectativas médicas. "O grupo veio como uma porta para a gente se achar, dividir as experiências, as dores e as alegrias. Me fez desfocar da doença e me trouxe mais para o caminho de superar meus limites", conta emocionada.
Outra integrante do grupo, Viviane Berdet, que descobriu a doença em 2014, quando tinha 34 anos, relata que passou por um momento bem difícil quando descobriu o câncer e que o grupo foi muito importante para poder passar por todas as etapas do tratamento. "Eu perdi o chão. Quem me trouxe de volta foi a minha psicóloga. Ela me deu a direção e disse que seria bom eu participar do grupo. E, realmente, eu passei por todo o tratamento no grupo e me deu forças", diz.
Viviane também falou sobre sua surpresa em saber de sua gravidez logo após encerrar o seu tratamento de quimioterapia. "Foi emocionante, uma alegria para todas nós. Essa vitória não é só minha, é delas também, que participaram desse momento comigo", afirma.
A psicóloga do Cion, Rosicler Camargo, que trabalha no grupo há quatro anos, acredita que essa é uma experiência incrível. "É muito engrandecedor, pois através do grupo de musicoterapia a gente nota que elas conseguem ter um bom alívio em relação as dores e sofrimentos causados pela doença", pontuou.

Direitos
- Reconstrução mamária como procedimento obrigatório no mesmo ato no qual foram retiradas as mamas;
- Aposentadoria por invalidez e auxílio-doença - as mulheres que sofrem com o câncer de mama e estão inscritas no Regime Geral de Previdência Social (INSS), independentemente do pagamento de 12 contribuições, têm direito à aposentadoria por invalidez. O benefício, no entanto, é concedido à paciente desde que sua incapacidade para o trabalho seja considerada definitiva pela perícia médica do INSS;
- Amparo assistencial ao idoso e ao deficiente (Loas – Lei Orgânica de Assistência Social) - o benefício também se aplica à mulher que teve a mama retirada parcial ou integralmente e que esteja incapacitada de trabalhar;
- FGTS - os pacientes com câncer têm direito de sacar o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço);
- Isenção de impostos - os portadores de câncer também têm direito a algumas isenções de impostos. Estão isentos, por exemplo, do imposto de renda relativo aos rendimentos de aposentadoria, reforma e pensão, inclusive as complementações;
- PIS: os portadores de câncer e seus dependentes têm direito assegurado de realizar saque do PIS, na Caixa Econômica Federal (CEF). O direito garante o recebimento do saldo total de quotas e rendimentos;
- Quitação do financiamento da casa própria.

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