ANO: 25 | Nº: 6284

Dilce Helena Alves Aguzzi

dilcehelenapsicologa@gmail.com
Psicóloga
23/10/2018 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

Desisolar-se

Por mais incrível que pareça nem todo mundo sabe pedir socorro.
Enquanto alguns não conseguem ficar trinta segundos sem entrar em detalhes sobre sua aflição, existem
aqueles que têm grande dificuldade em aproximar-se dos amigos quando estão passando por algum
momento difícil.
Muitas vezes não é por presunção que não se procura ajuda. É por pensar assim: “Ninguém vai poder
resolver o problema por mim...”
Em função disso cria-se um muro de solidão à sua volta, contribuindo para que os outros tenham uma
ideia deturpada de que é alguém sem problemas, nunca sofre, tira tudo de letra, ou seja, é a única pessoa
deste planeta que não enfrenta obstáculos e não precisa da ajuda de ninguém!
Quantas vezes as ideias não se organizam e não conseguimos encontrar saída?
Quem nunca ficou reprisando mentalmente uma situação penosa como se fosse um filme até cansar?
Quem nunca se sentiu envergonhado de estar enfrentando determinada situação incômoda ou vivendo em
sofrimento?
Pois bem, procurar alguém de confiança e falar sobre tais situações é muito saudável porque atenua a
aflição criando uma passagem entre o sofrimento isolado e o alívio de saber que alguém se importa
conosco. O diálogo ajuda a acender uma fagulha de luz em pontos obscuros que provocam mais tensão.
Compartilhar, conversar, confessar emoções e pensamentos não resolvem os problemas práticos da vida,
entretanto têm o poder de amenizar a solidão e acalmar a mente que incessantemente busca saída. Favorece
a forma criativa e menos melancólica de ver um problema sempre pela mesma ótica.
É bom ouvir outra perspectiva, nem que seja para discordarmos frontalmente dela.
Segundo Herbert Vianna, “saber amar é saber deixar alguém te amar”.
Para ser amigo, não basta estar disponível para os outros, ajudar e ouvir. É preciso, também, aprender a se
revelar frágil, vulnerável. Enfrentar o medo, quebrar barreiras e construir pontes que nos conectem aos
outros.
É necessário saber dizer: “Eu não sei o que fazer. Preciso de sua escuta, compreensão e apoio. Eu preciso
de ajuda!”

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