ANO: 25 | Nº: 6282
26/10/2018 Luiz Coronel (Opinião)

Na reta final

1. Eleição majoritária é sempre uma arregimentação de esperanças, geralmente esmorecidas pelo próprio exercício do poder durante os anos de governo. Esta eleição teve nuances inesperadas. De um lado, exultando certezas raivosas, os que almejam a continuidade de comando do Partido dos Trabalhadores; e de outro, com igual, ou maior ímpeto, brados incontidos dos que clamam pelo fim deste ciclo do governo de coalisão, cujo bracelete de capitão do time coube ao PT e, no ocaso do mandato, ao PMDB de Michel Temer.

2. Seria preciso dizer que os eleitores de Haddad não são cúmplices da corrupção, nem são comunistas, nem mesmo socialistas convictos. São súditos de uma utopia anunciante de um país solidário, priorizando a inclusão social e a unidade das esquerdas. No outro time, os adeptos de Bolsonaro, que não são fascistas, racistas, xenófobos. São pessoas que ante as denúncias e julgamentos de corrupção e o periclitante balanço final destes três quinquênios, pedem, exigem um novo rumo no comando político do país.
3. Quem sopra as labaredas, queima os bigodes, diz o falar campeiro. Muito ódio, paixão cega e radicalismo conferiram uma tonalidade cinza e não ensolarada a este pleito. "Entre Haddad e Bolsonaro, a qual santo peço amparo?", escrevi em uma rede social. O que sinto e penso é que ser antiPT ainda não é uma afirmação política. É uma contestação, apenas. O deputado Ibsen Pinheiro, frasista juramentado, abriu voto com esta frase lapidar: "Se me perguntarem como vai ser o governo Bolsonaro, eu não sei. Se me perguntarem como seria o governo Haddad, sei muito bem".
4. Pergunto ao céu e à terra, às nuvens que passam como se explica esse tsunami chamado Bolsonaro? Houve uma vaia eleitoral a todos os partidos, exceto o pequeno PSL, bolsonarista, que bancava quatro deputados e passa a contar com cinquenta representantes na Câmara dos Deputados. Caberia ao Partido dos Trabalhadores e seus aliados no indefensável "governo de coalisão" mandar parar a carroça e rever a carga de equívocos e desmando que arrastaram pelas estradas de governos sucessivos.
5. O primeiro turno consagrou a vitória do desassossego. Muitos soberbos líderes das duas casas, Câmara e Senado, tombaram como sol abandonado nas águas do Guaíba. E como o poder não admite cadeiras vazias, as composições suprapartidárias, ruralistas e evangélicas tomaram o bastão nas mãos e elegeram seus fiéis adeptos e seguidores. Novas bancadas e governadores emergem dessa convulsão eleitoral. Boas, turvas, viciosas, eficientes, o tempo nos dirá com toda certeza. Quem viver, verá!

 

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...