ANO: 25 | Nº: 6361

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
27/10/2018 Airton Gusmão (Opinião)

Crer para ver


Jesus Cristo continua caminhando para Jerusalém com os seus discípulos e uma multidão o acompanha. O evangelista Marcos quer mostrar, além de quem é Jesus, também quem é e como o discípulo se põe no caminho para seguir o Senhor.
"A fé é companheira de vida, que permite perceber, com um olhar sempre novo, as maravilhas que Deus realiza por nós. Solícita a identificar os sinais dos tempos no hoje da história, a fé obriga cada um de nós a tornar-se sinal vivo da presença do Ressuscitado no mundo" (A Porta da Fé – Carta Apostólica – Papa Bento XVI).
Jesus, seus discípulos e grande multidão saíam de Jericó em direção a Jerusalém. Um cego que estava à beira do caminho, pedindo esmola, põe-se a gritar, chamando por Jesus, pedindo-lhe que tenha compaixão dele (Mc 10,46-52). Jesus e seus discípulos estavam a caminho, e o cego, à margem do caminho.
Jesus pergunta àquele que gritava: "Que queres que eu te faça?". O cego decididamente responde: "Mestre, que eu veja". O cego Bartimeu é o símbolo da marginalização: está fora do caminho, sem poder se locomover, dependendo das esmolas. É um homem na beira do caminho que vive às custas da bondade ou da maldade dos outros e, muitas vezes, sob à indiferença de tantas pessoas.
"Mestre, que eu veja". Hoje, somos afetados por muitas cegueiras: não vemos aqueles que economicamente não são contados, sendo, como diz a Conferência de Aparecida, da realidade da exclusão social, onde os excluídos não são somente 'explorados', mas 'supérfluos' e 'descartáveis' (nº 65); havendo assim milhões de pessoas invisíveis.
Jesus que estava a caminho, parou, olhou aquele cego mendigo, escutou também o grito da sua fé e esperança e, tendo compaixão, diz a ele: "Vai, a tua fé te curou" e, no mesmo instante ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho. Precisamos continuamente aprender a olhar as pessoas de uma outra maneira, sem qualificar, excluir, emitir juízo; ou seja, saber ver o outro no melhor de si mesmo, em seu mistério único, em sua originalidade, com todo o seu potencial e valor enquanto ser humano e filho de Deus.
A fé dá olhos novos para ver a vida. Necessitamos crer para ver, como no caso de Bartimeu, crer para curar a nossa cegueira. Uma fé que é capaz de curar a cegueira, não é cega, mas pelo contrário, é luz que ilumina a vida do ser humano. Fé cristã é uma forma de nos colocarmos responsavelmente diante da vida, superando o fatalismo, o fanatismo e o egoísmo.
"Mestre, que eu veja". Precisamos pedir a Jesus que nos cure da cegueira chamada indiferença para com o próximo. Neste sentido nos lembrava o Papa Bento XVI: "Fechar os olhos diante do próximo nos torna cegos diante de Deus" (Deus é amor, nº 16). Podemos dizer que no mundo de hoje, diante de tanta correria, agitação, distrações, ninguém enxerga mais ninguém, pois cada vez mais as pessoas estão com seus olhos fixos na tela de um celular e não enxergam ninguém à volta delas.
Jesus, o Caminho, A Verdade e a Vida, diante do grito insistente do cego mendigo, soube parar, escutar e ver a realidade sofrida daquele homem. Diante desta realidade teve compaixão: "Vai, a tua fé te curou; e no mesmo instante ele recuperou a vista e seguia Jesus pelo caminho". É importante lembrar aqui que os primeiros cristãos eram chamados discípulos do Caminho.
A Cura de Bartimeu é mais do que a história de um cego. É o caminho da fé, dos que querem "Ver" e seguir Jesus. Ao nos deixar orientar por Jesus, passamos a enxergar a vida, a realidade, as pessoas, de uma maneira nova e assim, a viver como Ele viveu.
A Fé cristã precisa ser, como nos pede a Igreja, constantemente professada, celebrada e testemunhada ou vivida. Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

 

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