ANO: 25 | Nº: 6282
31/10/2018 Fogo cruzado

Mainardi avalia cenário pós-eleitoral durante Grande Expediente da Assembleia

Foto: Marcelo Bertani/Agência ALRS

Petista utilizou púlpito do parlamento gaúcho na tarde de ontem
Petista utilizou púlpito do parlamento gaúcho na tarde de ontem
Durante manifestação no Grande Expediente do parlamento gaúcho, ontem, o deputado estadual Luiz Fernando Mainardi, do PT, avaliou ‘a conjuntura que emerge das urnas’. Para o petista, o pleito foi marcado por uma série de paradoxos, culminando com a vitória, pela primeira vez na história da democracia brasileira, de um governo de extrema direita. O novo cenário, na visão do parlamentar, será desafiante para ambos os lados. “Os confrontos públicos de ideias, os conflitos sociais, as polêmicas acadêmicas e a luta por direitos e justiça não se extinguem no âmbito da democracia. Esses, aliás, entre tantos outros, são fenômenos que caracterizam uma democracia. Se eles estiverem em risco, será a própria democracia que estará”, pontua.
Durante o Grande Expediente, que tem duração de 20 minutos, apenas um orador pode falar. De acordo com informações da Agência de Notícias da Assembleia Legislativa, Mainardi defendeu o respeito à escolha feita pelo povo, ressaltando, no entanto, que ‘não é possível ignorar que ela foi construída com base em notícias falsas, reprodução de preconceitos religiosos e ameaças à democracia’. O petista disse que o candidato do PSL não afirmou nada com “começo, meio e fim”, em relação ao seu programa de governo, e que baseou sua campanha em um núcleo moral e messiânico. O deputado ressaltou, entretanto, que o futuro ministro Paulo Guedes tem ideias ultraliberais e entreguistas e cobrou da extrema direita a apresentação de seu plano de governo.
O primeiro parlamentar a se manifestar no Grande Expediente da Assembleia Legislativa após as eleições, afirmou que o “PT vive” e que continuará sendo um ardoroso defensor da democracia e da liberdade no Brasil. Mainardi considera que Fernando Haddad e Manuela d’Ávila saem ‘cacifados’ das urnas como líderes nacionais para dirigir a esquerda em qualquer desafio e comandar a luta em defesa das liberdades civis. “Temos orgulho desta monumental dupla de lutadores sociais, responsáveis diretos pelos milhões de votos que recebemos”, enfatizou.
Ao citar episódios de incitação à violência pós-eleição, o deputado afirmou ainda que a chave para entender a atual conjuntura é o conceito de democracia. “A democracia, evidentemente, não é apenas o direito ao voto e nem mesmo o direito a fazer posts em redes sociais. A democracia é o direito ao Estado laico, o direito a não criminalização dos movimentos sociais, o direito à tolerância política e à diversidade de raça, gênero e fé. A democracia, em sua formalidade, é a defesa intransigente dos direitos civis, entre eles, o direito de não ser torturado e ser respeitado em sua individualidade física e legal”, pontuou.

Surpresas e paradoxos
Na avaliação de Mainardi, a eleição foi marcada por peculiaridades, novidades, surpresas e por paradoxos que “ganharam a dimensão de momentos dominantes”. “Nunca antes se debateu tanto entre os eleitores e tão pouco entre os candidatos. Nunca tivemos uma eleição em que o grande desafio dos apoiadores de uma candidatura era convencer as pessoas de que o seu candidato não faria o que ele diz que fará”, citou.
Na avaliação do petista, nunca o Brasil saiu tão dividido de uma eleição e “nunca a democracia nos colocou tão perto de uma ditadura política e de costumes, com discursos ameaçadores às instituições democráticas, com a mistura da política com a religião, com o discurso da violência ganhando autorização para ingressar na arena política”. “Nunca, enfim, após a maior liturgia da democracia brasileira, a eleição, estivemos com a democracia tão maculada e fragilizada em nosso País, tão necessitada de cuidados e proteção”, sentenciou.

Governador
Mainardi parabenizou o governador eleito Eduardo Leite, do PSDB, e lembrou que o eleitor petista colaborou com sua vitória. Ele ressaltou, entretanto, que a migração de grande parte dos votos recebidos no primeiro turno pelo candidato do PT, Miguel Rossetto, para a candidatura de Leite, não significa adesão ao programa do tucano, embora existam pontos em comum.
Para o petista, a transferência dos votos  foi motivada pela intenção de derrotar o projeto de continuidade representado pelo governador José Ivo Sartori, do MDB, e pelo fato de o candidato vencedor ter assumido compromisso com a defesa dos direitos humanos, com manutenção do Banrisul e da Corsan e com o pagamento em dia dos servidores.
“Existem, em minha opinião, pontos de convergência no que propôs o candidato eleito e o programa que defendemos nas eleições para o governo do Estado. Trabalharei para que estes pontos possam ser a base de uma ponte e não de um muro em nosso exercício político de oposição, ao qual fomos direcionados pela decisão do povo”, anunciou.

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