ANO: 24 | Nº: 8084

Airton Gusmão

redacaominuano@gmail.com
Pároco da Catedral
02/11/2018 Airton Gusmão (Opinião)

A vida cristã é uma luta permanente

No Evangelho deste final de semana (Jo 6,60-69), diante de resistências à sua palavra, presença e exigências para o seu seguimento, onde muitos demonstram não acreditar e desistem de segui-lo, Jesus desafia os seus discípulos a um discernimento, a uma opção: “Vós também quereis ir embora?”. Diante dessa pergunta inquietante e desestabilizadora, Pedro responde: “A quem iremos Senhor? Tu tens palavras de vida eterna”.
Na vida de cidadãos e cristãos precisamos estar em permanente discernimento diante de muitas propostas, propagandas enganosas e atraentes. Não podemos nos deixar levar e tomar decisões a partir do que grupos e meios de comunicação querem influenciar sobre nossas opções que podemos e devemos fazer.
O Papa Francisco na sua Exortação Apostólica sobre o chamado à santidade no mundo atual, destaca a importância do discernimento em todos os momentos da vida; justamente porque reconhece que sofremos permanentemente sugestões, propostas que podem nos desviar do ser e agir cristão. Neste sentido, ele diz que “a vida atual oferece enormes possibilidades de ação e distração, sendo-nos apresentadas pelo mundo como se fossem todas válidas e boas”.
Além dessas propostas, e daí porque o exercício cotidiano do discernimento, podemos receber da sociedade sugestões e motivações para um não agir, para se viver num indiferentismo, quase que esquecendo da dura realidade; e para isso, muito sutilmente, todos os meios de comunicação podem estar influenciando. Nesse sentido, sobre o discernimento, o Papa segue dizendo que “forças do mal induzem-nos a não mudar, a deixar as coisas como estão, a optar pelo imobilismo e a rigidez e, assim, impedimos que atue o sopro do Espírito Santo”.
Como que definindo e destacando a necessidade do discernimento, ele afirma que o mesmo “é um instrumento de luta, para seguir melhor o Senhor. É sempre útil, para sermos capazes de reconhecer os tempos de Deus e a sua graça, para não desperdiçarmos as inspirações do Senhor, para não ignorarmos o seu convite a crescer; e que precisamos pedir com confiança ao Espírito Santo e cultivá-lo com a oração, a reflexão, a leitura e o bom conselho”.
Ainda sobre o discernimento o Papa vai nos dizendo que “o mesmo leva-nos a reconhecer os meios concretos que o Senhor predispõe, no seu misterioso plano de amor, para não ficarmos apenas com as boas intenções”.
Aprofundando este dom sobrenatural que é o discernimento e a sua vivência, ele descreve que se trata de algo mais decisivo para todos nós, quando afirma que “não está em jogo apenas um bem-estar temporal, nem a satisfação de realizar algo de útil, nem mesmo o desejo de ter a consciência tranquila. Está em jogo o sentido da minha vida diante do Pai que me conhece e ama, aquele sentido verdadeiro para o qual posso orientar a minha existência e que ninguém conhece melhor do que Ele”.
Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

Deixe seu comentário abaixo

Mais notícias da edição

Outras edições

Carregando...