ANO: 25 | Nº: 6334
06/11/2018 PAUTA ESPECIAL - Curso de Jornalismo

A Feira do Livro e a produção literária de Bagé

por Willians Barbosa
Acadêmico de Jornalismo da Urcamp

A vigésima primeira edição da Feira do Livro de Bagé acontece entre os dias 7 e 11 de novembro de 2018, no largo do Centro Administrativo, com o tema Memória, Patrimônio e Criação.
O escritor e tradutor José Francisco Botelho (Chico Botelho) é o patrono, eleito por voto, em um conselho de ex-patronos. Segundo ele, a patronagem o pegou de surpresa, especialmente porque já tinha sido indicado outras duas vezes, sem êxito. "Fiquei muito comovido pela votação dos demais patronos e patronas, a quem tenho a maior admiração e amizade, sem exceções. Também me tocou a reação de várias pessoas da cidade, que reagiram com alegria perante essa notícia. Ademais, tem sido um prazer trabalhar com a organização da Feira, sempre atenciosa e preocupada em realizar o melhor evento possível", destaca.
Além de escritor e colunista de algumas revistas, Chico também é tradutor. Suas traduções de William Shakeaspere são elogiadas por profissionais. "Eu gosto muito de traduzir, especialmente poesia, e especialmente poesia pré-moderna", afirma. Na Feira desse ano, ele lançará seu livro de contos Cavalos de Cronos, continuação de A Árvore que Falava Aramaico, de contos fantasiosos lançado em 2014. Em suas aspirações futuras, pretende lançar um romance histórico passado no Brasil, Paris e Oriente.
O escritor Gustavo Czekster expressa que o patrono desse ano, a quem ele acompanha há anos, é uma pessoa de vasto conhecimento literário, o que contribuiu para a escolha de seu nome como homenageado. ''Nos seus livros, encontram-se conjugadas tanto as vivências que ele traz da sua cidade natal, Bagé, quanto a cultura de outros tempos e lugares, constituindo uma combinação única, que fascina pelo seu exotismo e inventividade e o coloca na lista de melhores escritores da contemporaneidade'', revela.
A diretora do Sesc, Liziane Meires, afirma que o objetivo do evento é sempre fomentar a literatura. "No entanto, nós trabalhamos com uma programação bem diversa culturalmente, com várias manifestações culturais, para que a gente possa trazer as pessoas para a Feira do Livro e, a partir daí, que ela possa se interessar por um título de um livro, estimulando a reflexão e o hábito da leitura", explica.
Patrono da edição passada da Feira, Eliéser Moura figurará este ano com o livro Confinados e Externados – Volume II, junto com demais autores. "Acho que todo dia eu redescubro o significado de ser patrono. Eu vejo que essa é uma homenagem que vai ao encontro de quem já lutou pela expansão da literatura. No meu caso, alguém que nas escolas já iniciava essa luta com conversas e leituras. Tanto que foram essas pessoas que se tornaram meus leitores, seguidores e me levaram a uma votação muito expressiva", fala sobre sua experiência passada.
Para ele, a literatura e seus representantes precisam de resignificação para os dias em que vivemos. "Não podemos esquecer de homenagear os seniores da literatura que merecem nessa cidade, assim como não podemos ignorar o vigor e luta dos mais jovens. Há uma cena de literatura de muitas produções independentes, antologias, coletividades que já aconteciam e que se autogeram e auto-sustentam. Me refiro a financiamentos coletivos sem verba pública. E isso demonstra propósito de querer ver a cidade produzir cultura'', explana ele.
O escritor e radialista Fernando Risch lançará a segunda edição de O Homem e Seus Demônios. No enredo, o personagem principal, um escritor, evoca para si, situações diferentes com escritores consagrados (e já mortos) à medida que avança no que está escrevendo, sem saber muito bem os limites da sua imaginação e da realidade. "Eu acho que tem bastante de mim no personagem. Eu vivi certas situações do dia a dia, em que eu me imaginava, em que depois discutia, como escritor, comigo mesmo, sobre aquela situação", conta. Para os próximos meses, ele pretende lançar material inédito, previamente intitulado O Corpo de Luana. Sobre a edição deste ano da Feira, ele é otimista: ''Eu espero um saldo muito positivo. Só ela voltando pra rua, e não em um lugar fechado, já vai ser muito bom. Acho que vai ser muito interessante, com muito material diferente chegando. Vai ser bacana conviver durante esses dias'', acredita.
Já o jornalista Lucas Rohan lançará Novas Mídias, Novos Políticos, resultado da dissertação de seu mestrado na Universidade Nova de Lisboa/Portugal. "Uma pesquisa de quarenta políticos, de quatro países, observando como eles utilizaram o Twitter em novembro de 2016, um mês movimentado bastante politicamente, por ter eleição norte-americana, morte de Fidel, entre outros assuntos que mobilizaram as redes sociais durante esses dias", diz.
Entre demais títulos a serem lançados, estão As Aventuras do Barão de Bagé, de José Brasil Teixeira, Ernesto Wayne Poemas e Heloísa Beckmam Gravuras, de Heloísa Beckman, e 80 poemas esta noite – A poesia de Luiz Coronel em Madrid e Salamanca, do homenageado Luiz Coronel. Também fazem parte da programação diversas atividades, como teatro de bonecos, painéis, apresentações de música e salas temáticas.

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