ANO: 24 | Nº: 6084

Dilce Helena Alves Aguzzi

dilcehelenapsicologa@gmail.com
Psicóloga
06/11/2018 Dilce Helena Alves Aguzzi (Opinião)

O desafio da decepção

Este título é sem dúvida alguma uma provocação e como tal quer estimular o pensamento e questionamentos sobre o tema. Muitas vezes superestimamos a questão ou a percebemos por um ângulo equivocado analisando apenas o aspecto da dor, do pesar causado por decepcionar-se com alguém ou alguma situação. Esta forma de encarar esquece de levar em consideração que não é possível viver sem se decepcionar, e que criar ilusões para posteriormente despir-se delas, além de doloroso, é, também, imprescindível ao crescimento e amadurecimento pessoal desde os primeiros anos de vida.
Há quem perceba a desilusão como um sofrimento a ser evitado de qualquer maneira. Ingenuidade, pensar que não ter expectativas evita sofrimentos, pois quem vive espera sempre alguma coisa, mesmo que a ambição seja pouca, mesmo que a ilusão seja limitada, portanto a decepção é garantida. E não digo isso de forma amarga ou pessimista do tipo "oh, viver é sofrer sem fim!" Não. Ao contrário, creio que somos mais fortes do que pensamos. Os outros à nossa volta também são e esta força é forjada e exercitada neste infinito ciclo de viver, iludir-se, conhecer um pouco mais sobre a verdade, decepcionar-se, crescer e voltar a criar expectativas novas.
A decepção também envolve saber lidar com as consequências de decepcionarmos os outros. É importante que em algum momento da vida seja permitido decepcionar, seria o segundo passo da evolução, levando em conta que o primeiro é a descoberta que nossa própria desilusão não é tão grave ou fatal como temíamos. Ora, se sobrevivemos porque os outros não sobreviveriam ao fato de descobrir que não somos perfeitos, que erramos, que somos diferentes daquilo que imaginaram?
Aliás, nossa teoria de perfeição pessoal não resistiria uma análise de cinco minutos. Resumindo, a vida ficaria bem mais leve se tivéssemos oportunidade, desde bem cedo, de refletir sobre e aceitar o fato de que os outros são o que são e não o que deles pensamos, ao mesmo tempo em que nós somos o que somos e não aquilo que projetam em nós.

OLHO
Quem vive espera sempre alguma coisa

Deixe seu comentário abaixo

Outras edições

Carregando...