ANO: 26 | Nº: 6590
08/11/2018 Cidade

Festival da Fronteira prepara atividades em ato binacional

Foto: Reprodução JM

Evento já exibiu mais de 500 produções feitas em Bagé e região. Na imagem, bastidores do curta-metragem
Evento já exibiu mais de 500 produções feitas em Bagé e região. Na imagem, bastidores do curta-metragem "A Culpa é Tua", de José Canabarro
O Festival Internacional de Cinema da Fronteira chega à sua décima edição cumprindo seu caráter internacional. Comemorando sua primeira década de existência, o evento acontece de 27 de novembro a 2 de dezembro, nas cidades de Bagé, Santana do Livramento e Rivera. Para mobilizar os realizadores de audiovisual, de ambos os lados da linha divisória, será promovida a Mateada de Cinema, que marca o lançamento das atividades do festival naquelas cidades. O encontro acontece no próximo dia 8 de novembro, quinta–feira, a partir das 10h30min, no Parque Internacional.
A roda de chimarrão, que marca o início do X Festival Internacional de Cinema da Fronteira, integra as atividades do Salão Internacional de Ensino, Pesquisa e Extensão (Siepe), promovido pela Universidade Federal do Pampa (Unipampa). De acordo com a produtora cultural da Unipampa, Helyna Dewes, o objetivo da ação é difundir e incentivar a produção audiovisual universitária. "Além de fomentar a produção na região, o evento surge a partir da necessidade da própria universidade em produzir e disponibilizar material de divulgação universitário", completa.
Estão aptos a participar da mostra estudantes de graduação de qualquer nacionalidade ou recém-formados, de acordo com regulamento. A mostra competitiva tem duas temáticas: "Unipampa – 10 anos da lei da criação" e "Unipampa e sua região de atuação". "A universidade foi criada com o objetivo principal de desenvolver a região. A escolha do tema vai ao encontro da característica fundamental da Unipampa", afirma Helyna.

Importância do evento

Em dez edições, o Festival Internacional de Cinema da Fronteira já exibiu mais de 500 produções de realizadores de Bagé e região. Muito mais que uma vitrine de exibição, o festival é um incentivo para quem se aventura no audiovisual. É o caso do santanense José Newton Canabarro, envolvido com as artes cênicas há mais de 30 anos. "Tínhamos um grupo de teatro que esteve ativo por décadas aqui em Livramento", comenta. Segundo Canabarro, o Festival da Fronteira é fundamental para os produtores da região. "Hoje temos festivais até em escolas de Ensino Médio. O festival universitário também é uma vitrine muito buscada pelos estudantes", ressalta.

Com vasta experiência nos palcos, Canabarro teve contato com a produção de cinema em 1983, por ocasião da produção do filme '8mm', com o diretor Henrique de Freitas Lima. "Dez anos depois, esse mesmo diretor veio a Livramento rodar o filme 'Lua de Outubro', onde acabei fazendo uma pontinha", conta. O filme de Freitas Lima foi lançado em 1998 e narra os acontecimentos registrados durante a Revolução Federalista, que tem Bagé como um de seus palcos principais. Ele também atuou na produção "Os Cabelos da China", que faz parte da coleção Contos Gauchescos, de Simões Lopes Neto, e participou do filme "O Tempo e O Vento", de Jayme Monjardim.

Apesar das dificuldades, Canabarro afirma que a produção em Livramento segue forte. "Temos cinco roteiros prontos. O último foi feito há dois anos. Infelizmente, não contamos com patrocínio nem leis de incentivo. É tudo feito na raça. Cada um contribui como pode, paga o próprio almoço, transporte, etc. Tudo com baixo custo total", finaliza.

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