ANO: 25 | Nº: 6335

Airton Gusmão

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Pároco da Catedral
10/11/2018 Airton Gusmão (Opinião)

Doar e doar-se

"Jesus é Deus e o seu nome só pode ser infinito como Deus. Não é um amor que doa alguma coisa: Jesus doa a si mesmo: 'Tendo amado os seus, amou-os até o fim' (Jo 13,1). Jesus deu tudo, sem reservas: deu a sua vida na cruz e deu o seu corpo e o seu sangue na Eucaristia. Essa é a medida com a qual também nós somos chamados a amar. Na grande maioria dos casos, aquela atitude de 'dar a vida' que Jesus nos pede, não se atua em efusão de sangue, mas no dia a dia, por meio de pequenos gestos, colocando-nos a serviço dos outros" (François Van Thuan – Testemunhas da esperança).
No Evangelho deste final de semana (Mc 12, 38-44), Jesus faz uma advertência a todos nós: "Tomai cuidado com os doutores da Lei. Eles gostam de andar com roupas vistosas, de serem cumprimentados nas praças públicas, das primeiras cadeiras e dos melhores lugares nos banquetes; porém, devoram as casas das viúvas, fingindo fazer longas orações". As viúvas era um dos grupos sociais mais desprotegidos naquela época; eram despojadas das suas propriedades e extorquidas pelos poderosos, entre eles os escribas. Os profetas denunciaram fortemente tal exploração que contava, inclusive muitas vezes, com o apoio da justiça oficial.
Neste mesmo evangelho, Jesus observava como a multidão depositava suas moedas no cofre. Muitos ricos depositavam grandes quantias, o que chamava atenção de todos; porém, chamou a atenção de Jesus o fato de uma pobre viúva dar duas pequenas moedas que não valiam quase nada. Por isso, Ele diz: "Esta pobre viúva deu mais do que todos os outros que ofereceram esmolas. Todos deram o que tinham de sobra, enquanto ela na sua pobreza, ofereceu tudo aquilo que possuía para viver".
Somos convidados a refletir sobre o quanto ou como anda a nossa atitude ou gesto de doação gratuita e solidária. Sabemos que Jesus fez de sua vida uma total entrega, doação, em favor de toda a humanidade, no sentido mais pleno, nos dando a salvação e vida em abundância. Ele não apenas doou algo do seu tempo ou da sua atenção para ajudar muitas pessoas; mas foi uma doação total, viva, como continua fazendo através do seu Corpo e Sangue.
Neste sentido nos ajuda a que nos questionemos sobre o nosso ser, celebrar e agir cristão, a contribuição do Papa Francisco: "O critério de avaliação da nossa vida é, antes de mais nada, o que fizemos pelos outros. O nosso culto agrada a Deus, quando levamos lá os propósitos de viver com generosidade e quando deixamos que o dom lá recebido se manifeste na dedicação aos irmãos. Quem deseja verdadeiramente dar glória a Deus com a sua vida, quem realmente quer se santificar para que a sua existência glorifique o Santo, é chamado a obstinar-se, gastar-se e cansar-se, procurando viver as obras de misericórdia" (Exortação Apostólica sobre o chamado à santidade, nº 104, 107).
Esta viúva do Evangelho é modelo de confiança e generosidade e nos ajuda a perceber em nossas comunidades eclesiais e na sociedade, muitas "viúvas" que partilham suas vidas, sofrimentos; sempre com tempo para ajudar e servir as pessoas que mais precisam. As viúvas sempre representaram na Igreja uma forma de serviço humilde, gratuito, consolador, voltado para os sofredores e consagrados a Deus.
Deus não olha para as aparências, inclusive revestidas muitas vezes de uma certa "religiosidade", representadas pelos doutores da Lei no evangelho; ele olha para o gesto daquela viúva e nos convida à renúncia, partilha e generosidade, para servir os mais pobres, a fundo perdido, sem buscar recompensa alguma.
O que eu estou doando? Tenho feito de minha vida uma doação? Façamos a nossa parte. Sejamos alegres na esperança, fortes na tribulação, perseverantes na oração e solidários com os que sofrem. Um bom final de semana a todos e até uma próxima oportunidade.

 

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