ANO: 25 | Nº: 6405

José Artur Maruri

josearturmaruri@hotmail.com
Colaborador da União Espírita Bajeense bagespirita.blogspot.com.br
10/11/2018 José Artur Maruri (Opinião)

Fénelon

Entre alguns Espíritos que ganharam notoriedade por suas participações nas obras básicas do Espiritismo, já citamos Luís de França e Erasto, no entanto, não poderíamos deixar de citar outro Espírito requisitado ao trabalho de advento do Espiritismo à Terra pelo Espírito de Verdade: trata-se de Fénelon.

Fénelon nasceu em 6 de agosto de 1651 no Chateau de Fénelon (Périgord – França) e desencarnou em Cambrai em 7 de janeiro de 1715. Sua família era da nobreza, ilustre nas armas e na diplomacia, mas empobrecida. Sendo um dos filhos menores, seguindo um costume da época, ele foi destinado para a carreira eclesiástica e diz-se que começou seus estudos no colégio dos Jesuítas em Cahors. Continuou os Estudos junto aos Jesuítas em Paris e manteve contatos com o seminário de Saint-Sulpice.

Na sua existência terrena foi um orador, escritor e prelado francês de grande influência. É considerado um precursor do Iluminismo e na pedagogia propôs ideias que seriam desenvolvidas por Rosseau e Pestalozzi. Contemporâneo de Luís XIV (5 de setembro de 1658 – 1º de setembro de 1715), o “Rei Sol”, viveu o apogeu do Antigo Regime francês. Foi preceptor do filho mais novo do rei e herdeiro do trono, o Duque de Borgonha, que desencarnou em 1712 sem chegar a assumir o trono.

Dois livros de Fénelon, “Da existência e dos atributos de Deus” e “Telêmaco”, foram incluídos por Allan Kardec na relação de obras sugeridas para uma biblioteca espírita e, como Espírito, ele fez parte do grupo que colaborou na Codificação Espírita. Assinou juntamente com outros espíritos ilustres o “Prolegônemos” de “O Livro dos Espíritos” e mensagens suas foram publicadas nas obras básicas e na Revista Espírita.

As mensagens de Fénelon, registradas nas obras básicas e na Revista Espírita, mostram que a formação moral do homem terrestre continua sendo o centro de suas atividades. É o educador e conselheiro, profundo conhecedor do ser humano, que com sua característica benevolência segue trabalhando no plano espiritual.

O pensamento de Amélia Rodrigues, expresso através da mediunidade de Divaldo Pereira Franco, se identifica com o pensamento de Fénelon, contido em “O Evangelho segundo o Espiritismo”, que solicita a certa altura: “Educar é formar homens de Bem, e não apenas instruí-los.”

Fénelon figura na Codificação, em vários momentos, podendo ser citado: "O Livro dos Espíritos", onde assina Prolegômeros, junto a uma plêiade de luminares espirituais. Igualmente a resposta à questão de nº 917 é de sua especial responsabilidade.

Em "O Evangelho Segundo o Espiritismo", apresenta-se em vários momentos, discursando a cerca da terceira revelação e da revolução moral do homem (cap. I, 10); o homem de bem e os tormentos voluntários (cap. V,22 - 23); a lei de amor (cap. XI, 9); o ódio(cap. XII,10) e emprego da riqueza(cap. XVI,13).

Em "O Livro dos Médiuns", figura no capítulo das Dissertações Espíritas (cap. XXXI, 2º parte, itens XXI e XXII), desenvolvendo aspectos acerca de reuniões espíritas e da multiplicidade dos grupos espíritas.

Importante assinalar que os destaques assinalados são aqueles em que o espírito assina seu nome, devendo se considerar que deve, como os demais responsáveis espirituais pela Codificação, ter estado presente em muitos outros momentos, dando seu especial contributo, eis que foi convidado pelo Espírito da Verdade a compor sua equipe, em tão grandioso empreendimento.   

“(...) A revolução que se prepara é mais moral do que material. Os grandes Espíritos, mensageiros divinos, insuflam a fé, para que todos vós, obreiros esclarecidos e ardentes, façais ouvir vossa humilde voz. Porque vós sois o grão de areia, mas sem os grãos de areia não haveria montanhas. Assim, portanto, que estas palavras: “Nós somos pequenos”, não tenha sentido para vós. A cada um a sua missão, a cada um o seu trabalho. A formiga não constrói o seu formigueiro, e animaizinhos insignificantes não formam continentes? A nova cruzada começou: apóstolos da paz universal, e não da guerra, modernos São Bernardos, olhai para frente e marchai! A lei dos mundos é a lei do progresso”. (Fénelon – Poitiers, 1861)

(Referências: Allan Kardec. O Evangelho Segundo o Espiritismo. Cap. 1, item 10.FÉNELON. Oeuvres. Compilação e Introdução de Jacques Le Brun. França: Éditions Gallimard, 1983)

 

José Artur M. Maruri dos Santos

Trabalhador da União Espírita Bageense

Comente: josearturmaruri@hotmail.com

 

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